Livros revelam desafios e trajetórias de mulheres indígenas no cinema brasileiro
Foto original adaptada visualmente por IA.
Cultura

Livros revelam desafios e trajetórias de mulheres indígenas no cinema brasileiro

Compartilhar Facebook X WhatsApp Telegram

Duas publicações lançadas nesta semana, durante a programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ampliam o debate sobre a produção audiovisual de mulheres indígenas e a participação dos povos originários no setor.

O livro Ler o vento, filmar o mundo: pesquisa-mapeamento sobre o cinema produzido por mulheres indígenas no Brasil reúne trajetórias, produções e diferentes abordagens narrativas construídas a partir do olhar dessas realizadoras. Já o manual Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas apresenta orientações e boas práticas para festivais, produtoras, universidades e instituições culturais que desenvolvem trabalhos audiovisuais com povos indígenas.

As iniciativas são da Rede Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas. Durante o lançamento, Bárbara Kariri, uma das coordenadoras do trabalho e conselheira da rede, defendeu mudanças que ultrapassem a adoção de cotas.

“A gente tá vivendo um momento político em que as cotas são importantes, são necessárias, são urgentes e têm que melhorar. Mas, para além das cotas, a gente precisa mudar as metodologias, porque você coloca o indígena, o quilombola num espaço e você não dá sustância, não dá acolhimento para essa pessoa, em alguma camada é uma continuidade da violência”, afirmou.

A pesquisa ouviu 60 cineastas de 40 povos, de todas as regiões do país. Entre as entrevistadas, estão falantes de 35 línguas indígenas. O levantamento aponta obstáculos que vão do financiamento à preservação dos trabalhos.

Pouco mais de 81% das entrevistadas já apresentaram filmes em mostras ou festivais. Cerca de 71% disseram ter iniciado a leitura de um edital, mas desistido de concorrer por causa da burocracia, dos requisitos de participação ou da linguagem utilizada. A dificuldade para apresentar os documentos exigidos foi citada especialmente por mulheres que vivem nos territórios. O estudo também revelou que 65% das produtoras indígenas já perderam algum material audiovisual.

Para a cineasta Moiara Katxuyana, o livro ajuda a dar rosto e voz às realizadoras indígenas. “Afinal de contas, a gente não está falando de números, a gente está falando de mulheres, de mães, de benzedeiras, de líderes comunitárias, que se encontram nessa pluralidade de ser de território, de povos, de línguas, numa prática em comum”, declarou.

Voltado a profissionais e organizações do setor cinematográfico, o manual Diretrizes destaca a necessidade de fortalecer relações baseadas na escuta, na reciprocidade, na remuneração justa e no reconhecimento dos modos indígenas de fazer e pensar cinema.

Segundo Bárbara Kariri, ainda falta cuidado e escuta para que mulheres indígenas ocupem posições de liderança e criação nas produções. “Muitas vezes, a gente estava ali só como alguém que tem que cumprir a ordem, sem poder dar uma opinião, nem nada”, afirmou.

As orientações foram elaboradas coletivamente, a partir de depoimentos e experiências de mulheres indígenas em produções, festivais, curadorias e instituições.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta
Miramontes 350×750
Notíciasletter
Receba nossas noticias
Um resumo direto no seu e-mail.
Sign In/Sign Up Pesquisar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...