
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu na terça-feira (14) que não teme eventuais interferências do governo dos Estados Unidos de Donald Trump nas eleições presidenciais de outubro, quando deve concorrer a seu quarto mandato no Palácio do Planalto.
“Receio, eu não tenho. Acho até que ele [Trump] me ajudaria muito se fizesse isso”, declarou o petista em entrevista a veículos de imprensa progressistas, lembrando que Washington realizou uma campanha em prol do líder da Hungria Viktor Orbán, de extrema direita, derrotado nas eleições no fim de semana.
“Eu tenho lido mensagens de Trump dando palpites em eleições em Honduras, na Costa Rica…É um absurdo, uma intromissão sem precedentes na soberania de um país. Ele ainda não fez isso aqui, mas meus adversários têm um filho lá que foi pedir para o Trump intervir”, acrescentou Lula, em referência ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após a tentativa de golpe de Estado.
“Eu acho isso um erro de comportamento, mas, sinceramente, não me tira o sono”, concluiu.
Na mesma entrevista, o presidente Lula reiterou suas denúncias ao governo israelense ao declarar que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu “faz mal para a humanidade” e que está “convencido” de que a autoridade sionista está “fora da linha”. Israel tem intensificado seu genocídio na Palestina desde outubro de 2023 e, recentemente, agredido tanto o Irã quanto o Líbano, levando ao aumento de tensões regionais.
O Brasil chegou a deflagrar uma crise diplomática com o regime sionista após o presidente Lula manifestar publicamente críticas contundentes contra o massacre promovido na Faixa de Gaza. O petista é considerado “persona non grata” por Israel desde 2024, após comparar as ações de Tel Aviv contra os palestinos com o Holocausto.
Segundo o mandatário, o comportamento de Netanyahu estaria diretamente ligado à sua permanência no poder. “É um tipo de político que faz mal para a humanidade. O comportamento dele, para ficar no poder, exige que ele faça o que está fazendo”, afirmou.
Por sua vez, Lula falou da necessidade de diferenciar o governo do povo de Israel. “Tenho muito cuidado para não confundir o povo de Israel com Netanyahu. Há muita gente que quer paz e não concorda com ele”, disse.
Durante a entrevista, também criticou o apoio internacional ao governo israelense, atribuindo a responsabilidade à administração dos Estados Unidos. De acordo com ele, há uma relação de “complacência” que permite a continuidade das ações militares, caso contrário “Israel não faria o que está fazendo”.
Questionado sobre a possibilidade de romper relações diplomáticas com Israel, Lula adotou um tom cauteloso, tendo em vista que decisões dessa natureza exigem prudência. “A gente precisa ter cuidado, não pode ter nenhuma atitude precipitada, porque dificulta você voltar atrás”, explicou. “Eu sempre acho que, em algum momento, o povo de Israel vai tirar Netanyahu e eleger alguém civilizado, democrático, humanista para governar aquele país”.
(*) Com Ansa