Atualização: UFJF e UFMG se desculpam por cadáveres em aulas
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Atualização: UFJF e UFMG se desculpam por cadáveres em aulas

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Pelo menos duas instituições de ensino superior, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), se desculparam publicamente por terem utilizado cadáveres de pacientes de hospitais psiquiátricos em aulas de saúde. As declarações foram feitas em resposta a um histórico de desrespeito e marginalização dessas pessoas, evidenciando a luta antimanicomial no Brasil.

A UFJF divulgou uma nota no dia 18 de maio de 2026, reconhecendo sua conivência em momentos críticos da saúde pública. O texto destaca que a segregação social em nome da segurança coletiva resultou em violências e isolamento, associando a “loucura” à incapacidade e periculosidade, o que contribuiu para estigmas sociais.

O comunicado da UFJF menciona o Hospital Colônia de Barbacena, onde mais de 60 mil pessoas teriam morrido ao longo do século XX. O hospital é citado como um símbolo da marginalização, com 1.853 corpos de internos vendidos para instituições de ensino, incluindo a própria UFJF, que recebeu 169 corpos entre 1962 e 1971.

Compromissos de Reparação

Como parte de um esforço de reparação, a UFJF anunciou iniciativas educativas sobre direitos humanos e saúde mental, além de um memorial dedicado à memória das vítimas. A universidade também planeja realizar pesquisas sobre sua conexão com o Hospital de Barbacena.

Desde 2010, a UFJF implementou o Programa de Doação Voluntária de Corpos, garantindo que todos os corpos recebidos sejam de doações voluntárias, respeitando a dignidade humana. Esse programa visa conscientizar a sociedade e os alunos sobre a importância da doação de corpos para fins educativos.

A UFMG, que já havia se manifestado anteriormente, também pediu desculpas por suas ligações com o Hospital Colônia de Barbacena. A universidade se comprometeu a promover ações de memória e a incluir o tema em suas disciplinas de anatomia, além de restaurar registros históricos de cadáveres utilizados para aulas.

Desde 1999, a UFMG mantém um programa de doação de corpos que é voluntário e ético, alinhado a padrões internacionais. Ambas as instituições buscam, com suas declarações, reconhecer e corrigir erros históricos, promovendo uma reflexão sobre a luta antimanicomial e a dignidade das pessoas com transtornos mentais.

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