Uma investigação da ONG britânica Earthsight revela que madeira da Amazônia brasileira, associada a uma empresa com histórico de irregularidades, chegou ao mercado europeu, levantando preocupações sobre a certificação florestal. O material foi utilizado em obras na Holanda, o que expõe falhas na rastreabilidade da cadeia de suprimentos de madeira.
O relatório intitulado “Cuidado onde você pisa! O deck holandês construído com madeira suspeita da Amazônia” aponta que a Samise Indústria, Comércio e Exportação Ltda. é a fornecedora da madeira. A empresa já acumula multas e condenações no Brasil, o que levanta questões sobre a eficácia dos sistemas de certificação florestal.
Madeira da Amazônia teria chegado a grandes importadoras europeias
Conforme o estudo, milhares de metros cúbicos de madeira extraída da Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no Pará, foram exportados para a Europa. A investigação destaca irregularidades, como fraudes na identificação de toras e transporte de madeira durante períodos de suspensão.
Entre as espécies mencionadas, o angelim-vermelho é amplamente utilizado em decks e estruturas externas, o que pode impactar diretamente o mercado de construção civil na Europa. A presença dessa madeira em projetos de infraestrutura levanta questões sobre a origem e a legalidade do produto.
Importadoras holandesas são citadas no relatório
O relatório também menciona grandes importadoras europeias, como Hoogendoorn Hout e Van den Berg Hout, que adquiriram volumes significativos de madeira da cadeia ligada à Samise. Essa situação gera preocupações sobre a responsabilidade das empresas na verificação da legalidade dos produtos que comercializam.
A certificação do Forest Stewardship Council (FSC) da Samise, que estava ativa desde 2016, foi cancelada apenas em março de 2026, mesmo após a empresa enfrentar diversas sanções. Isso levanta críticas sobre a eficácia das certificações e a necessidade de auditorias mais rigorosas.
Nova regulamentação europeia entra no radar do setor
O caso é utilizado pela Earthsight para defender a implementação do novo European Union Deforestation Regulation (EUDR), que entrará em vigor em dezembro de 2026. Essa nova regra exigirá maior rastreabilidade e comprovação de origem livre de desmatamento para produtos florestais exportados para a Europa.
Além das implicações internacionais, o relatório também destaca os desafios que a política de concessões florestais no Brasil pode enfrentar. A ampliação da área explorada em florestas federais pode dificultar a fiscalização e aumentar os riscos de exploração ilegal, afetando diretamente a sustentabilidade do bioma amazônico.











