No Brasil, o Dia das Mães é uma data que evoca amor e celebração, mas para muitas mães, como Clarice Cardoso, é um lembrete doloroso da ausência de seus filhos desaparecidos. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no país, e essas mães lutam diariamente por visibilidade, memória e respeito. A busca incansável por seus filhos se transforma em um clamor por justiça e apoio da sociedade.
Clarice, moradora da comunidade quilombola em Bacabal (MA), vive um pesadelo desde que seus filhos, Ágatha e Allan, desapareceram em janeiro. A dor é palpável, e a esperança se mistura com a angústia a cada ligação recebida. O Dia das Mães, para ela, é um momento de reflexão e um pedido de ajuda para que mais pessoas se unam nessa luta.
Apoio e Solidariedade
A formação de redes de apoio tem sido fundamental para mães que enfrentam essa realidade. Ivanise Espiridião, que busca pela filha Fabiana há mais de 30 anos, criou o grupo Mães da Sé, que hoje conta com mais de seis mil mães. Essa união proporciona um espaço de acolhimento e solidariedade, onde compartilham experiências e buscam visibilidade para suas histórias.
O grupo também utiliza tecnologia para auxiliar na localização de desaparecidos, como o aplicativo Family Faces, que utiliza reconhecimento facial. Essa inovação é uma esperança para muitas famílias que aguardam notícias de seus entes queridos. A luta de Ivanise é um exemplo de como a dor pode se transformar em ativismo e apoio mútuo.
Além do suporte emocional, é essencial que as famílias tenham acesso a informações sobre seus direitos. Muitas vezes, as vítimas de desaparecimento enfrentam preconceitos e dificuldades nas delegacias. Ivanise alerta que não é necessário esperar 24 horas para registrar um desaparecimento, uma prática que ainda persiste e prejudica as buscas.
A dor da ausência é única e requer atenção especial. Profissionais de saúde mental, como a psicóloga Melânia Barbosa, enfatizam a importância do suporte psicológico para essas mães. O acolhimento e a escuta são fundamentais para que elas não se sintam sozinhas em sua luta.
Lucineide Damasceno, outra mãe que integra o Mães da Sé, também compartilha sua experiência. Desde que seu filho Felipe desapareceu em 2008, ela se tornou ativista e fundou a ONG Abrace, que oferece suporte a famílias em situação semelhante. A esperança de reencontrar Felipe a mantém firme, mesmo em dias difíceis.
O Dia das Mães é, portanto, uma data que carrega significados diversos. Para muitas mães, é um momento de lembrar e honrar a memória de seus filhos desaparecidos, enquanto lutam por justiça e apoio. A solidariedade e a união são essenciais para que essas histórias não sejam esquecidas e que a busca por respostas continue.











