Em 2025, o Brasil registrou um aumento de 11% nas matrículas em creches, atingindo 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O levantamento, divulgado em junho, revela que 43,3% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas, o maior percentual desde 2016.
Esse crescimento representa uma alta significativa em relação a 2016, quando apenas 31,8% das crianças estavam atendidas. Apesar do progresso, o índice ainda está abaixo da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024.
Desafios e metas futuras
Embora a matrícula em creches não seja obrigatória, o direito ao atendimento para crianças de 0 a 3 anos é garantido por lei. O novo PNE, que vigora até 2034, ampliou a meta para que, ao menos, 60% das crianças de 3 anos sejam atendidas.
Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, destaca a importância de acelerar a expansão das creches. Ela aponta que o planejamento, o financiamento e a gestão das vagas são essenciais para garantir a qualidade do atendimento.
Desigualdades no acesso
Apesar dos avanços, as desigualdades raciais e socioeconômicas ainda persistem. Em 2025, 14,2% das crianças brancas estavam fora da escola, enquanto esse número subia para 19,6% entre crianças pretas, pardas e indígenas.
Além disso, entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças não tinham acesso à educação infantil, um número quatro vezes maior do que o registrado entre os 20% mais ricos. Para Natália, é crucial identificar as vulnerabilidades para garantir igualdade de oportunidades desde a primeira infância.
Motivos para a não frequência
Em 2025, 64,1% das crianças de 0 a 1 ano e 57,1% das de 2 a 3 anos não frequentavam creches por opção dos pais. A falta de vagas e a não aceitação da matrícula devido à idade foram os principais motivos apontados pelos responsáveis.
O Ministério da Educação (MEC) instituiu o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, com investimentos de mais de R$ 406 milhões para expandir a oferta de vagas e promover a permanência das crianças na escola nos próximos anos.











