Em 2025, o Brasil registrou um aumento significativo de 36% nas matrículas em creches, atingindo 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O crescimento é um reflexo do avanço no acesso à educação infantil, especialmente entre crianças de 0 a 3 anos, que alcançou 43,3% de cobertura.
Esse percentual representa um salto de 11 pontos em relação a 2016, quando apenas 31,8% das crianças estavam matriculadas. Apesar do progresso, o índice ainda está abaixo da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024.
Desafios e metas futuras
Embora a matrícula em creches não seja obrigatória, o atendimento a crianças de 0 a 3 anos é um direito garantido. O novo PNE, que vigora até 2034, ampliou a meta para que pelo menos 60% das crianças de 3 anos tenham acesso à educação infantil.
A coordenadora de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Natália Fregonesi, destacou a importância de um planejamento eficaz e de um financiamento adequado para garantir a expansão das creches. Ela enfatizou que a qualidade do atendimento deve ser uma prioridade.
Desigualdades regionais
As desigualdades no acesso à educação infantil ainda são evidentes, com variações significativas entre as regiões do país. Enquanto Santa Catarina atinge 58,4% de cobertura, estados da Região Norte, como Amapá e Amazonas, apresentam índices alarmantemente baixos, abaixo de 25%.
Além disso, a pesquisa revelou que as crianças pretas, pardas e indígenas enfrentam maiores dificuldades de acesso, com 19,6% fora da escola, em comparação a 14,2% entre crianças brancas e amarelas. A desigualdade socioeconômica também é um fator determinante, com 24,2% das crianças mais pobres sem acesso à educação infantil.
Motivos para a não frequência
Entre os principais motivos para a não frequência em creches, 64,1% das crianças de 0 a 1 ano e 57,1% das de 2 a 3 anos estavam fora da escola por opção dos pais. A falta de vagas e a ausência de creches nas localidades também foram citadas como barreiras significativas.
O Ministério da Educação instituiu o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, com investimentos de mais de R$ 406 milhões para expandir a oferta de vagas e garantir a permanência das crianças na escola. A expectativa é que essas ações contribuam para a redução das desigualdades e o aumento do acesso à educação infantil no Brasil.











