O mercado de arroz no Brasil enfrenta um cenário desafiador, pressionado pela ampla oferta interna e uma safra robusta no Mercosul. Apesar disso, há indícios de que os preços podem se estabilizar no segundo semestre, impulsionados por fatores internacionais e riscos climáticos.
A colheita nacional de arroz já ultrapassa 94% da área estimada, com o Rio Grande do Sul quase finalizando os trabalhos. A produção gaúcha deve alcançar cerca de 7,9 milhões de toneladas, contribuindo para uma safra total brasileira em torno de 11 milhões de toneladas.
Pressão nos preços do arroz
Com a oferta elevada, os preços continuam a apresentar um viés de baixa. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 57 e R$ 59 por saca de 50 quilos. Em regiões com maior qualidade industrial, como a Zona Sul, os negócios estão entre R$ 62 e R$ 65 por saca.
A média da saca de arroz no Rio Grande do Sul foi cotada a R$ 60,24, representando uma queda significativa em relação ao mês anterior e uma desvalorização acumulada de 21,16% em comparação ao mesmo período de 2025. Essa situação gera preocupação entre os produtores, que adotam uma postura mais cautelosa nas vendas.
A balança comercial do arroz também é motivo de atenção, com importações superando as exportações no início da temporada. A recuperação das exportações será crucial para equilibrar a oferta interna e aliviar a pressão sobre os preços.
No cenário internacional, no entanto, surgem sinais mais positivos. Os contratos de arroz em Chicago estão próximos de US$ 13 por quintal curto, refletindo uma percepção mais firme sobre os fundamentos globais. O relatório do USDA indica uma redução na área plantada e na produção mundial para a safra 2025/26.
Além disso, o fenômeno El Niño e eventos climáticos extremos em países como Índia e Bangladesh aumentam os riscos para a produção global. Os altos custos de insumos e crédito agrícola também são fatores que podem impactar a capacidade produtiva dos principais exportadores.
Essas variáveis estão começando a mudar a percepção do mercado internacional, criando um ambiente que pode se tornar mais favorável para o arroz nos próximos meses. Para os produtores brasileiros, essa situação representa uma oportunidade de monitorar as tendências globais e ajustar suas estratégias de comercialização.











