O mercado brasileiro de milho enfrenta um cenário de baixa liquidez, impulsionado pelo avanço da colheita da safrinha e pela pressão das colheitas em andamento. Com a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas, tanto compradores quanto produtores estão cautelosos, o que resulta em uma redução significativa nas transações em várias regiões produtoras.
Além disso, o mercado externo continua a impactar os preços. Após uma valorização acentuada, a Bolsa de Chicago voltou a registrar quedas, influenciada pela melhora nas condições das lavouras norte-americanas. A desvalorização do dólar em relação ao real também diminui a competitividade das exportações brasileiras, complicando ainda mais a situação para os produtores.
Avanço da colheita e suas consequências
De acordo com análises do setor, o principal fator que pressiona o mercado é o avanço da colheita da safrinha. A previsão de tempo seco em diversas regiões produtoras deve acelerar o trabalho no campo, aumentando a disponibilidade do cereal. Essa situação tende a acomodar os preços, especialmente nas áreas onde a colheita está mais adiantada.
Apesar do aumento na oferta, a liquidez do mercado permanece baixa. Muitos compradores estão abastecidos para o curto prazo e realizam compras apenas para reposição imediata, enquanto os produtores hesitam em vender, aguardando melhores oportunidades de negociação.
Preços e negociações em diferentes regiões
No mercado físico, os preços estão estáveis ou em leve queda. Nos portos, as cotações variam entre R$ 66,00 e R$ 69,00 por saca em Santos, e entre R$ 65,50 e R$ 68,00 em Paranaguá. Em estados como Paraná e São Paulo, os preços oscilam entre R$ 58,00 e R$ 66,50, refletindo a situação de cada região produtora.
Embora o ritmo da colheita esteja atrasado em alguns estados, como Paraná e Mato Grosso do Sul, onde apenas 10% e 4% da área, respectivamente, foram colhidos, essa situação pode ajudar a evitar quedas mais acentuadas nos preços. A umidade elevada dos grãos tem sido um fator limitante para o avanço das máquinas.
Expectativas para o futuro do mercado
As exportações de milho também estão em um ritmo inferior ao do ano anterior, com uma queda de 38,6% nas primeiras semanas de julho em comparação a 2025. A menor competitividade dos preços brasileiros no mercado internacional leva muitos produtores a priorizarem a venda de soja, enquanto aguardam uma oferta mais abundante de milho.
Com a colheita da safrinha avançando e as condições climáticas favoráveis, a pressão sobre os preços deve aumentar. No entanto, a volatilidade em Chicago, as flutuações do dólar e o desempenho das exportações continuarão a influenciar as cotações no Brasil. Assim, o mercado de milho deve seguir apresentando baixa liquidez e negociações pontuais no curto prazo.











