O mercado de trigo no Brasil enfrenta um período de entressafra caracterizado por negociações lentas e oferta restrita. A baixa liquidez e a resistência dos compradores em avançar nas aquisições têm dificultado o avanço das vendas, mesmo com os preços internos se mantendo firmes.
De acordo com a análise da Safras & Mercado, a escassez de estoques, especialmente dos lotes de melhor qualidade, tem sido um fator determinante. Os moinhos, por sua vez, adotam uma postura cautelosa, enfrentando dificuldades para repassar os custos da matéria-prima para os preços da farinha.
Preços do trigo apresentam leve recuperação no mercado interno
Apesar do ritmo reduzido de negócios, as cotações do trigo mostraram uma leve recuperação. No Paraná, a média estadual subiu 1,4%, alcançando cerca de R$ 1.417 por tonelada FOB, enquanto no Rio Grande do Sul, os preços médios aumentaram 0,8%, chegando a aproximadamente R$ 1.295 por tonelada FOB.
Essa recuperação é impulsionada pela oferta mais curta, que ajuda a sustentar o mercado, mas a expectativa de uma nova safra com boa produtividade limita a possibilidade de altas mais expressivas. Especialistas do setor destacam que as condições favoráveis das lavouras reduzem a chance de valorização significativa no curto prazo.
Importações e distribuição do trigo no Brasil
As importações de trigo pelo Brasil continuam em um ritmo moderado, abaixo do registrado no ciclo anterior, mas ainda garantindo o abastecimento da indústria moageira. O line-up de importações da temporada 2025/26 soma 4,503 milhões de toneladas, ligeiramente inferior às 4,528 milhões de toneladas do ano passado.
A distribuição das importações é concentrada nas regiões Nordeste e Sudeste, com Ceará, São Paulo e Pernambuco liderando os desembarques. Juntas, essas regiões representam cerca de 79% das importações programadas, evidenciando sua importância para o abastecimento das indústrias de moagem.
As perspectivas para o mercado de trigo indicam que as negociações devem permanecer limitadas nas próximas semanas, seguindo a tendência da entressafra. A combinação de estoques reduzidos, compradores cautelosos e a expectativa positiva para a nova safra mantém os preços firmes, mas sem espaço para grandes altas.
A evolução da colheita brasileira e o comportamento das importações serão fatores cruciais para definir a direção das cotações no segundo semestre. Para os produtores, a atenção às condições climáticas e à produtividade das lavouras será fundamental para o planejamento das próximas safras.











