O mercado de trigo no Brasil apresenta preços firmes na Região Sul, mas a baixa liquidez preocupa os produtores. A dificuldade em alinhar as expectativas de compradores e vendedores, somada ao ritmo reduzido de compras pelos moinhos, tem limitado as transações. Apesar disso, as cotações se mantêm estáveis nos principais estados produtores.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário atual é caracterizado por uma oferta restrita e uma demanda cautelosa. As expectativas para a próxima safra são desafiadoras, especialmente em relação aos custos de produção e ao clima, que podem impactar a área cultivada.
Rio Grande do Sul: mercado calmo e incertezas para a safra
No Rio Grande do Sul, o mercado de trigo continua praticamente parado. Os grandes moinhos estão fora das compras imediatas, com preços próximos de R$ 1.420 por tonelada, variando conforme a localização e a qualidade do produto. Essa situação gera preocupação entre os produtores, que enfrentam aumento nos custos e riscos climáticos, como o retorno do fenômeno El Niño.
As cooperativas das regiões Central e Noroeste relatam uma redução de até 40% na intenção de plantio, o que pode resultar em uma produção estimada em apenas 2,2 milhões de toneladas. Esse volume é significativamente inferior ao da safra anterior, que variou entre 3,8 milhões e 4 milhões de toneladas.
Santa Catarina e Paraná: desafios na comercialização
Em Santa Catarina, os altos preços do trigo têm dificultado a comercialização da farinha. Embora um lote de trigo melhorador tenha sido negociado a R$ 1.450 por tonelada, a maioria do mercado permanece travada, com referências em torno de R$ 1.350 por tonelada.
No Paraná, a oferta limitada também sustenta os preços do cereal, com indicações de R$ 1.450 por tonelada CIF. As negociações para a nova safra ainda são pontuais, com referências próximas de R$ 1.400 por tonelada para entregas programadas entre agosto e setembro.
O mercado de trigo brasileiro enfrenta um equilíbrio delicado entre oferta e demanda. A baixa disponibilidade de produto, combinada com a cautela dos compradores e as dificuldades do setor de moagem em repassar custos, mantém a atenção voltada para a evolução da safra e as incertezas climáticas nos próximos meses.











