O mercado de trigo no Brasil apresenta um cenário de preços sustentados, impulsionado pela oferta restrita da safra disponível e pelo ritmo lento das negociações. Neste início de julho, as cotações continuam firmes, mesmo com oscilações nos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT).
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as transações no mercado físico estão ocorrendo de forma pontual, refletindo uma liquidez reduzida. A maioria das indústrias moageiras já está abastecida e se concentra em contratos da nova safra, com entregas previstas entre setembro e outubro.
Desafios e Expectativas para a Nova Safra
Os produtores que ainda possuem trigo disponível estão firmes nas negociações, especialmente em São Paulo, onde os estoques são limitados. Essa postura ajuda a manter os preços elevados no mercado interno, mas gera preocupação em relação à próxima safra.
Os desafios incluem altos custos de produção, margens reduzidas e riscos climáticos, especialmente com a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño. As cooperativas das regiões Central e Noroeste de São Paulo já indicam uma expectativa de redução significativa na área cultivada, com estimativas de produção em torno de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das quase 4 milhões do ciclo anterior.
No Sul do Brasil, o mercado também apresenta baixa movimentação. A demanda reduzida por farinha tem levado a uma moagem moderada, limitando novas aquisições por parte dos moinhos. No Rio Grande do Sul, os preços do trigo pão recuaram, passando de R$ 1.350 para uma faixa entre R$ 1.300 e R$ 1.330 por tonelada.
Em Santa Catarina e Paraná, as negociações seguem cautelosas, com vendedores aguardando uma valorização antes de ampliar as vendas. No Paraná, os moinhos estão realizando compras de oportunidade, complementando o abastecimento com trigo importado do Paraguai, enquanto os preços para a nova safra permanecem próximos de R$ 1.400 por tonelada.
Enquanto isso, o mercado internacional apresenta volatilidade, mas os fundamentos internos continuam a influenciar os preços no Brasil. A baixa disponibilidade de trigo da safra anterior e a cautela de produtores e compradores mantêm o mercado equilibrado, com expectativa de continuidade nas negociações pontuais.
As condições climáticas nas principais regiões produtoras do Sul serão determinantes para o potencial produtivo e a qualidade do cereal. Com a nova safra ainda a caminho, a tendência é que os preços permaneçam sustentados no mercado doméstico, mesmo com as oscilações nas bolsas internacionais.











