O mercado brasileiro de trigo enfrenta um cenário de lentidão nas negociações, refletindo a cautela de compradores e vendedores diante das incertezas sobre a nova safra. Enquanto os contratos futuros na Bolsa de Chicago apresentam leves quedas, os fundamentos internos, como a redução da oferta e a expectativa de menor produção, sustentam os preços no Brasil.
No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a movimentação de negócios permanece limitada. Os moinhos estão priorizando apenas a cobertura das necessidades imediatas, o que resulta em um volume de compras reduzido e uma expectativa de preços firmes.
Mercado físico e expectativas de produção
De acordo com a TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul registrou apenas 10 mil toneladas negociadas na última semana, com preços em torno de R$ 1.420 por tonelada. A combinação de custos altos, riscos climáticos e a possibilidade de uma queda significativa na área plantada, que pode chegar a 40%, gera incertezas sobre a próxima safra.
A Emater-RS projeta uma produção de cerca de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das 4 milhões de toneladas da safra anterior. Essa redução pode resultar em um déficit de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas, o que impacta diretamente a oferta no mercado interno.
Em Santa Catarina, a situação é semelhante, com o mercado praticamente parado e negociações pontuais. Os preços se mantêm estáveis, variando entre R$ 1.350 e R$ 1.500, mas a falta de reação nos preços da farinha limita novas compras do cereal.
No Paraná, a oferta da safra passada é restrita, e os moinhos indicam valores próximos de R$ 1.450 por tonelada. Os produtores estão pedindo a partir de R$ 1.400, mas as negociações para a nova safra ainda são escassas.
Impactos do mercado internacional
No cenário internacional, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago iniciaram a semana em leve queda, pressionados pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte. Apesar disso, fatores como o calor na Europa e o excesso de umidade na Argentina continuam a afetar a produção global.
No Brasil, a redução da área cultivada nos estados do Sul é o principal fator que sustenta os preços. Com a expectativa de um déficit de 1,5 milhão de toneladas no Paraná, a dependência de importações deve aumentar ao longo do segundo semestre, o que pode impactar ainda mais o mercado interno.
Os produtores são aconselhados a adotar uma estratégia cautelosa, realizando vendas de forma escalonada e aproveitando momentos de recuperação nas cotações. Com estoques limitados e um clima incerto, o comportamento do mercado de trigo nos próximos meses será decisivo para a definição dos preços até a nova colheita.











