
A Microsoft anunciou nesta terça-feira (22) uma reestruturação na Activision Blizzard antes mesmo de oficializar a compra da empresa, mas que é essencial para que a transação de fato aconteça.
A novidade é a negociação dos direitos de transmissão na nuvem de jogos da Activision Blizzard, que vão para a Ubisoft. O acordo é válido pelos títulos para PC e consoles que serão lançados nos próximos 15 anos, sendo que os direitos serão ligados para sempre à nova dona.
Como parte do acordo, a Ubisoft fará um pagamento único à Microsoft por cada título, além de uma possível compensação baseada em quantidade de uso ou compras de cada jogo. Os valores envolvidos não foram divulgados pelas companhias.
Com o acordo, a Microsoft não poderá lançar jogos da Activision Blizzard de forma exclusiva em seu próprio serviço de transmissão de jogos via nuvem, o Xbox Cloud Gaming, nem controlar os termos de licenciamento de jogos da empresa para empresas rivais — como dificultar a negociação ou rejeitar a entrada deles na PlayStation Plus, por exemplo.
Essa parte de será de responsabilidade da Ubisoft, que já via a compra anteriormente “de forma bastante positiva”.
Além de conduzir as negociações, que envolverão a disponibilização dos jogos na própria Xbox Cloud Gaming, ela poderá adicionar títulos da Activision Blizzard ao próprio serviço de streaming de games da casa, o Ubisoft+.
É provável, portanto, que a Ubisoft terá direitos de distribuição em plataformas de streaming de títulos da franquia Call of Duty, entre outras séries da companhia que terão sequências lançadas até 2038.

Na Europa, o acordo será um pouco diferente, já que a empresa precisa concordar com termos próprios da região e manter o fornecimento de streaming na nuvem. Por lá, por motivos legislativos, ainda será a Microsoft a responsável por controlar quais jogos farão parte da sua própria plataforma.
A venda dos direitos de transmissão na nuvem é talvez o último obstáculo que de fato separe a Microsoft de comprar a Activision Blizzard, embora isso ainda não seja dado como certo.
Isso porque o órgão regulador britânico Competition and Markets Authority, mais conhecido como CMA, agora vai revisar a negociação e dar um novo veredito sobre a aquisição. Ele foi o único que, até o momento, rejeitou o acordo e estava barrando a movimentação desde abril, justamente por preocupações sobre a questão de direitos para plataformas de streaming e riscos de anticompetitividade no mercado.
O prazo para que a negociação seja finalizada em definitivo, seja ela encerrada ou executada, é 18 de outubro de 2023. Até lá, a CMA deve analisar novamente o caso e liberar ou barrar a compra — que foi originalmente anunciada em janeiro de 2022 por US$ 68,7 bilhões.
Fontes: Ubisoft, Microsoft