O preço do milho no Brasil apresenta uma tendência de queda com o início da colheita da safrinha, refletindo a pressão do mercado internacional e a expectativa de maior oferta do grão. A combinação de uma colheita robusta e a retração dos compradores no mercado físico tem impactado diretamente as cotações em diversas regiões produtoras do país.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços do milho recuaram na maioria das praças acompanhadas. A ausência de compradores ativos e a expectativa de uma colheita mais intensa nas próximas semanas têm contribuído para essa desvalorização.
Impacto da colheita da safrinha nas negociações
A colheita está concentrada nos estados de Mato Grosso e Paraná, onde já se observa um impacto significativo nas negociações. Em Sorriso (MT) e no Norte do Paraná, as médias de preços de maio caíram 11% e 8%, respectivamente, em comparação ao mesmo período do ano passado.
Analistas do setor indicam que a expectativa de uma safra volumosa leva os compradores a adotarem uma postura cautelosa, aguardando preços ainda mais baixos. Mesmo com eventos climáticos adversos em algumas regiões, como geadas no Paraná, a percepção de uma oferta abundante prevalece.
Desempenho do mercado futuro e comercialização
No mercado futuro, os contratos de milho na B3 também encerraram maio em queda, seguindo a tendência observada na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em setembro teve uma desvalorização de 5,44%, refletindo a retirada dos prêmios de risco geopolítico e o avanço do plantio nos Estados Unidos.
A comercialização do milho no mercado físico permanece lenta, com compradores e vendedores distantes nas negociações. Os preços variam entre R$ 50,69 e R$ 70,00 por saca, dependendo da região, mas a baixa liquidez tem dificultado a realização de negócios.
Recomendações para os produtores
Especialistas recomendam que os produtores intensifiquem as vendas e protejam suas margens. A orientação é aproveitar eventuais repiques de preços para negociar o milho disponível, evitando a retenção excessiva na expectativa de uma recuperação imediata das cotações.
Com a entrada da safrinha e a pressão internacional, a expectativa é que os preços continuem em baixa no curto prazo. Para a safra 2025/26, a comercialização escalonada e o uso de ferramentas de proteção de preços são estratégias sugeridas para mitigar riscos.
O cenário global também apresenta desafios, com o milho pressionado pelo bom desenvolvimento das lavouras nos EUA e pela desaceleração das exportações. Apesar disso, fatores como a seca em Nebraska e as tensões geopolíticas podem limitar quedas mais acentuadas.
As próximas semanas devem ser monitoradas de perto, pois o avanço da colheita da safrinha e a cautela dos compradores continuarão a influenciar os preços do milho no Brasil. A dinâmica do mercado interno e internacional será crucial para os produtores e a economia regional.











