Raina Brands, uma professora universitária de Londres, decidiu incluir os abortos espontâneos que sofreu em seu currículo. Essa escolha, segundo ela, visa dar visibilidade a um tema frequentemente silenciado e mal compreendido. A docente acredita que essa experiência impactou sua vida profissional de maneira significativa e merece ser reconhecida.
Ao compartilhar sua história, Raina destaca que a sociedade muitas vezes espera que as mulheres mantenham suas rotinas normais após experiências de perda gestacional. No entanto, essa expectativa ignora o impacto emocional e físico que essas situações podem causar. Para ela, é essencial quebrar o tabu em torno do assunto e promover uma discussão aberta.
Desmistificando o silêncio sobre a perda gestacional
Raina observa que existe uma cultura de silêncio e vergonha relacionada aos abortos espontâneos. Essa falta de apoio, segundo ela, está enraizada em um sistema que não considera as experiências femininas. “Os ambientes de trabalho são frequentemente projetados para atender às necessidades masculinas, deixando de lado as realidades das mulheres”, afirma.
Incluir essa experiência no currículo não é apenas uma forma de expressar sua vivência, mas também um convite à reflexão sobre as estruturas que moldam a vida profissional das mulheres. Raina acredita que isso pode ajudar a desmistificar a percepção de que a queda na produtividade é uma falha pessoal, quando, na verdade, pode ser um reflexo da falta de suporte.
“Quando as pessoas leem meu currículo, espero que possam entender a conexão entre minha experiência e a minha produtividade”, diz Raina. Essa abordagem pode servir como um exemplo para outras mulheres que enfrentam situações semelhantes, mostrando que é possível falar abertamente sobre a dor e suas consequências.
Por fim, Raina enfatiza que seu objetivo não é desencorajar as mulheres a seguir em frente, mas sim promover uma compreensão mais profunda das estruturas que limitam suas escolhas. Ao trazer à tona esses temas, ela espera contribuir para um ambiente mais acolhedor e compreensivo para todas as mulheres no mercado de trabalho.











