Nove em cada dez moradores de comunidades do Rio de Janeiro reprovam operações policiais que envolvem confronto armado. Os dados são de uma pesquisa realizada por seis organizações da sociedade civil, que ouviu 4.080 moradores de quatro comunidades entre janeiro de 2026.
O estudo, intitulado “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?”, foi divulgado nesta quarta-feira (20). As entrevistas foram feitas no Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha, com 1.020 moradores de cada local.
Os resultados mostram que 73% dos entrevistados não concordam com o modelo atual de operações policiais. Além disso, 92% dos moradores reprovam a forma como essas intervenções são realizadas nas favelas.
Percepção sobre a Violência
Eliana Sousa Silva, coordenadora do estudo, destacou que a maioria dos moradores reconhece os excessos e ilegalidades cometidos pela polícia. Para 91% dos entrevistados, as operações policiais são marcadas por abusos, uma percepção que também é compartilhada por 85% daqueles que apoiam as operações.
O levantamento revela que, mesmo entre os que concordam com a presença policial, 74% condenam a brutalidade das ações. A pesquisa aponta que a visão negativa dos moradores de favelas contribui para a crença de que o confronto armado é a única solução para o crime.
Eliana enfatiza a necessidade de repensar a abordagem policial, sugerindo que o combate ao crime deve ser feito de forma mais abrangente e respeitosa aos direitos dos cidadãos. O estudo também aponta que a restrição de circulação e a violação de domicílios são impactos recorrentes das operações policiais.
Com a proximidade das eleições, a questão da segurança pública deve ganhar destaque. A pesquisa alerta que é fundamental que os eleitores conheçam as propostas dos candidatos em relação à violência e ao enfrentamento do crime organizado.
O levantamento foi apoiado por diversas instituições acadêmicas e organizações que atuam diretamente nas comunidades pesquisadas. A pesquisa busca trazer à tona a voz dos moradores e suas experiências em relação à violência policial e suas consequências no cotidiano.











