A OpenAI lançou nesta quinta-feira (3) o Astra, novo modelo de inteligência artificial desenvolvido para interagir diretamente com computadores e navegadores. O sistema pode clicar, digitar e navegar por programas em nome do usuário, além de executar fluxos de trabalho com várias etapas e produzir documentos, planilhas e apresentações.
Segundo a empresa, o modelo representa uma nova fronteira no uso de computadores e navegadores por sistemas de inteligência artificial, com foco em velocidade, precisão e segurança. Em simulações realizadas no subconjunto offline do OSWorld 2.0, o Astra concluiu tarefas de uso do computador cerca de 47% mais rápido que o GPT-5.6 Sol.
A OpenAI também afirma que o Astra é seu modelo mais avançado para engenharia de software. Em tarefas complexas realizadas em bases de código reais, o sistema teve desempenho superior ao GPT-5.6 Sol no benchmark DeepSWE v1.1. A empresa estima que o custo de API por tarefa seja aproximadamente 57% menor na configuração de melhor desempenho de cada modelo.
Um recurso experimental e opcional do Codex permite que o Astra mantenha o contexto durante projetos de longa duração. A ferramenta preserva anotações e recupera requisitos anteriores, tentativas de correção e resultados de testes entre diferentes janelas de contexto.
O modelo também pode criar sites e testar o funcionamento de seus recursos, ampliando a possibilidade de delegar tarefas completas de desenvolvimento e produção de conteúdo.
Inicialmente, o Astra será disponibilizado para clientes da OpenAI que utilizam o Daybreak, programa de cibersegurança da empresa. Ao longo da próxima semana, o modelo chegará aos planos pagos Pro, Plus, Enterprise e Business, além da API.
Em conversa com jornalistas, o presidente da OpenAI, Greg Brockman, classificou o Astra como o modelo “mais inteligente” e “mais alinhado” desenvolvido pela companhia até agora. Segundo ele, a tecnologia reúne anos de pesquisas e diferentes avanços da empresa e representa uma mudança no tipo de trabalho que pode ser delegado à inteligência artificial.
A OpenAI destacou ainda os mecanismos de segurança incorporados ao Astra. Antes do lançamento, o modelo passou por diferentes avaliações e benchmarks de segurança, com atenção especial às capacidades relacionadas à cibersegurança.
A empresa afirma que a capacidade do sistema de identificar e desenvolver exploits de dia zero pode ser usada por equipes de defesa para localizar vulnerabilidades e acelerar a correção de falhas. Nos testes divulgados pela companhia, o Astra também apresentou resultados superiores aos de outros modelos em tarefas como identificação de bugs, execução de comandos em terminais e consultas sobre bases de código, incluindo comparações com modelos próprios e de concorrentes.
Apesar dos avanços, o Astra pode se tornar um dos modelos mais controversos da OpenAI por utilizar uma técnica de raciocínio conhecida como opaque recurrence. O método pode dificultar o monitoramento do chamado chain of thought, processo usado por pesquisadores para analisar e auditar como e por que um modelo de inteligência artificial chegou a determinadas decisões.
A OpenAI minimizou o grau de utilização da técnica pelo Astra. Durante a conversa com jornalistas, o cientista-chefe Jakub Pachocki afirmou que acompanhar o processo de raciocínio continua sendo uma forma importante de supervisão, mas reconheceu que essa tarefa se torna mais difícil à medida que os modelos avançam. Segundo ele, “à medida que as capacidades dos modelos aumentam, a monitorabilidade se torna mais desafiadora”.











