Um estudo com participação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) avaliou os efeitos de um enxaguante bucal formulado com canabidiol (CBD) no combate à placa bacteriana e na preservação do esmalte dentário. O trabalho foi publicado na revista científica Clinical Oral Investigations.
O CBD é um composto não psicoativo extraído da Cannabis sativa. A pesquisa foi realizada por Anna Luísa Araújo Pimenta, aluna de pós-graduação da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da Universidade de São Paulo (USP), e contou com a participação do professor e pesquisador Carlos Henrique Gomes Martins, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFU, coautor do estudo.
A investigação também reuniu pesquisadores dos departamentos de Odontopediatria e de Materiais Dentários da USP.
O estudo buscou uma alternativa à clorexidina a 0,12%, considerada o “padrão-ouro” dos enxaguantes antissépticos prescritos na Odontologia. O uso prolongado da substância pode causar efeitos colaterais, como manchas amareladas ou escuras nos dentes e na língua, alteração do paladar, irritação da mucosa e secura bucal.
Foram testadas concentrações de CBD de 0,01%, 0,05% e 0,1% em um modelo com voluntários humanos que utilizavam placas de esmalte dentário bovino submetidas a um desafio cariogênico com açúcar.
As formulações com CBD a 0,05% e 0,1% apresentaram desempenho equivalente ao da clorexidina no controle das bactérias da placa. Nas concentrações mais altas, o canabidiol também teve resultado comparável ao antisséptico tradicional no combate às leveduras do gênero Candida.
Ao contrário da clorexidina, que provocou alterações visíveis na cor do esmalte, o enxaguante com CBD manteve a estabilidade da coloração dos dentes dentro dos padrões de aceitabilidade. As concentrações de 0,05% e 0,1% também ajudaram a preservar a microdureza dentária diante do desgaste causado pela exposição contínua à sacarose.
De acordo com os resultados, o enxaguante com CBD a 0,05% é apontado como uma alternativa viável, segura e natural para o controle da saúde bucal. O projeto recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e suporte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).











