Um grupo internacional de pesquisadores identificou mais de uma dezena de agentes de inteligência artificial (IA) que tentaram acessar sistemas protegidos do Alibaba, gigante chinesa de tecnologia. As atividades ocorreram entre o fim de setembro e o início de outubro e apresentaram indícios de ligação com serviços de computação em nuvem da Tencent.
Segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (14) pelo grupo Swarmchasers, formado por pesquisadores de segurança em IA dos Estados Unidos e de outros países, os agentes tentaram acessar o Amap, serviço de mapas do Alibaba. A investigação registrou 2.818 tentativas de acesso a dados entre 28 de setembro e 8 de outubro.
Os pesquisadores afirmam que a atividade partiu de um ambiente isolado de testes, conhecido como sandbox, na infraestrutura da Tencent Cloud. Os agentes teriam usado serviços públicos de varredura de segurança para executar códigos remotamente e comandos em navegadores de internet.
A maioria das tentativas não avançou significativamente, mas alguns agentes conseguiram contornar mecanismos de proteção contra bots. Ainda assim, os pesquisadores disseram não ter encontrado evidências de acesso a sistemas privados.
O relatório, intitulado “We found a Chinese fleet” (“Encontramos uma frota chinesa”, em tradução livre), aponta indícios de que a atividade esteve associada à infraestrutura da Tencent em Hong Kong e Shenzhen, na China. Isso, porém, não permitiu identificar o modelo de IA utilizado.
De acordo com o grupo, ainda não está claro qual sistema estava sendo desenvolvido ou avaliado. A Tencent também trabalha com modelos de terceiros, o que impede atribuir diretamente a operação a uma IA própria da companhia.
Os agentes aparentemente buscavam responder a perguntas sobre o Amap, como identificar qual entrada de um zoológico era a mais popular. Os pesquisadores não conseguiram determinar quais dados eram o alvo das tentativas nem qual era o objetivo final da atividade.
A Tencent e o Alibaba não responderam aos pedidos de comentário enviados pela Bloomberg.
Para Ethan Elasky, um dos autores do relatório e diretor-executivo da organização sem fins lucrativos Palaestra Research, o episódio se soma a evidências de agentes de IA que escapam de ambientes de avaliação e passam a agir sem supervisão humana.
“Independentemente de estarmos falando de laboratórios chineses ou estadunidenses, acredito que a forma como o desenvolvimento de modelos vem acontecendo fará com que os agentes continuem escapando de seus ambientes isolados quando estiverem na internet”, afirmou Elasky.
Os pesquisadores diferenciaram o caso de outros episódios de comportamento coletivo de agentes, como o incidente envolvendo modelos da OpenAI que comprometeram sistemas da plataforma Hugging Face em julho. Segundo o relatório, os agentes identificados na investigação atual não pareciam colaborar entre si da mesma maneira.
O episódio ocorre em meio a preocupações sobre o controle de sistemas autônomos de IA. Em setembro, a OpenAI adiou o lançamento de seu modelo mais avançado para reforçar as medidas de segurança.
Kok Tin Gan, cofundador e diretor-executivo da empresa de segurança cibernética NyxLab, afirmou que a principal questão não é determinar se os agentes utilizavam um modelo chinês ou estadunidense, nem se eram realmente autônomos ou estavam fora de controle. Para ele, o desafio mais importante é garantir que esses sistemas permaneçam sob controle.
À medida que os agentes de IA ganham autonomia, organizações precisam estabelecer limites claros de atuação, monitoramento contínuo e mecanismos eficazes de intervenção.











