O Atlas da Violência 2026 revela que pessoas negras são as maiores vítimas de homicídios no Brasil, com 32.820 mortes registradas em 2024, representando 77% do total de homicídios no país. A taxa de homicídios entre negros foi de 27,3 por 100 mil, o que equivale a 89,9 assassinatos por dia. Em contraste, entre não negros, foram contabilizados 9.234 homicídios, com uma taxa de 10,1 por 100 mil.
O estudo, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que a mortalidade por homicídio entre negros é 170,3% maior do que entre não negros. Entre 2014 e 2024, 435.551 pessoas negras foram assassinadas, enquanto 132.156 não negros perderam a vida da mesma forma.
Desigualdade nas estatísticas
Embora tenha havido uma redução geral nos homicídios, a queda foi desigual. A taxa de homicídios entre não negros caiu 38,9%, enquanto entre negros a redução foi de apenas 21,7%. Isso evidencia uma persistente desigualdade racial na violência letal no Brasil.
O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, destacou que a violência está aumentando, especialmente contra minorias. Em Alagoas, o risco de um cidadão negro ser assassinado é 23,3 vezes maior do que um não negro, refletindo a gravidade da situação em algumas regiões.
Impacto sobre outras minorias
O Atlas também aponta um aumento na violência contra a população LGBTQIA+. As notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 5,5% de 2023 para 2024, totalizando 10.250 registros. Isso demonstra a necessidade urgente de políticas públicas que abordem a violência de forma abrangente.
O estudo revela que a violência contra pessoas com deficiência e indígenas também apresenta números alarmantes. A violência sexual é uma das formas mais críticas de vitimização entre pessoas com deficiência, enquanto os povos indígenas enfrentam um aumento significativo nos homicídios, especialmente em regiões como o Amazonas.
Esses dados ressaltam a urgência de ações efetivas para combater a violência e a desigualdade racial no Brasil, que continuam a impactar desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis.











