O Plano Safra 2026/2027, recentemente anunciado, traz um volume recorde de recursos para a agropecuária brasileira, totalizando R$ 525,1 bilhões. No entanto, a redução no crédito de custeio gera preocupação entre os produtores rurais, que enfrentam um cenário de custos elevados e juros altos.
Embora o valor total represente um acréscimo nominal de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior, especialistas alertam que essa quantia não é suficiente para manter o poder de compra diante da inflação. A análise revela que, descontando a inflação, o novo plano representa uma redução real de aproximadamente R$ 13,6 bilhões.
Desafios do novo Plano Safra
O principal desafio identificado pelo setor produtivo é garantir que os recursos anunciados cheguem efetivamente aos agricultores em condições viáveis. A diminuição dos recursos destinados ao custeio e comercialização, que caiu de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, limita a capacidade de financiamento dos produtores.
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, destaca que a situação é preocupante, pois os agricultores enfrentam juros elevados e maior rigor na concessão de crédito. Essa realidade pode comprometer o plantio e a condução das lavouras, especialmente em um momento em que os custos de produção permanecem altos.
A Aprosoja MT já havia encaminhado propostas ao Ministério da Agricultura para lidar com o crescente endividamento rural. A entidade defende a necessidade de medidas que ajudem a recompor a capacidade financeira dos produtores e facilitem a renegociação de dívidas.
Além disso, o aumento da participação da Cédula de Produto Rural (CPR) no financiamento evidencia uma mudança no perfil do crédito rural. Essa dependência de instrumentos privados pode elevar os custos financeiros e expor os produtores a condições de mercado mais voláteis.
Para o sucesso do Plano Safra, é fundamental que o crédito rural seja acessível, com juros competitivos e condições que atendam a realidade dos agricultores. A eficiência na liberação dos recursos será crucial para sustentar a produção e a competitividade do agronegócio brasileiro.











