O pontificado de Leão XIV, que completa um ano em 8 de maio de 2026, é marcado por um estilo de moderação que, no entanto, tem sido ofuscado pela crise com o governo de Donald Trump. Desde sua eleição, o primeiro papa norte-americano da história tem enfrentado um confronto direto com as políticas belicistas de seu compatriota, desafiando a sua abordagem pacifista.
Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost, adotou uma postura cautelosa e discreta, contrastando com a espontaneidade de seu antecessor, o papa Francisco. Durante seu primeiro ano, ele se dedicou a nomeações estratégicas na Cúria Romana, priorizando questões sociais como a pobreza, a justiça ambiental e os perigos da inteligência artificial.
Desafios Diplomáticos e Críticas
O papa também tem enfrentado desafios diplomáticos significativos, especialmente em relação à política migratória dos Estados Unidos. Em novembro de 2025, os bispos norte-americanos publicaram uma carta sem precedentes, denunciando a “difamação” dos imigrantes, uma estratégia que busca manter um diálogo com Washington sem abrir mão de uma resposta moral.
Entretanto, a “diplomacia da força” promovida por Trump tem limitado a margem de manobra do papa. Em janeiro de 2026, Leão XIV criticou a retomada de guerras, e em fevereiro, condenou os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã, chamando as ameaças de Trump de “inaceitáveis”.
Essa forte reação do papa reflete sua preocupação com a utilização de linguagem religiosa para justificar a guerra. Leão XIV se recusa a entrar em uma escalada verbal com o governo americano, preferindo manter o debate em um nível moral e ético.
A visita do secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, ao Vaticano, programada para esta quinta-feira, indica a importância da Santa Sé nas relações diplomáticas dos EUA. A audiência busca descongelar as relações bilaterais, que têm sido tensas devido a declarações polêmicas de Trump sobre o papa.
Enquanto isso, Leão XIV continua a enfatizar a urgência da paz e a luta contra a corrupção e as desigualdades sociais. Sua abordagem mais firme pode sinalizar uma mudança duradoura em seu pontificado, embora analistas acreditem que ele não tenha pressa em definir sua estratégia a longo prazo.
Com 70 anos e em boa forma, o papa planeja uma série de viagens pela Itália, começando por Nápoles e Pompeia, onde pretende se conectar diretamente com os fiéis. Esse contato próximo pode ser uma oportunidade para reafirmar sua mensagem de paz e justiça social em um cenário global conturbado.











