O preço da mandioca no Brasil disparou na última semana, registrando a maior alta semanal em quatro meses, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Essa valorização é resultado da combinação entre uma oferta restrita e uma demanda firme por parte das fecularias, impactando diretamente o agronegócio e a economia rural.
A escassez de lavouras de segundo ciclo aptas para colheita tem sido a principal razão para o aumento nos preços. Muitos produtores estão evitando a comercialização de raízes mais novas, pois a rentabilidade atual não justifica a retirada antecipada das lavouras. Essa estratégia reflete uma preocupação com a sustentabilidade econômica das propriedades rurais.
Oferta de mandioca e demanda industrial
A prioridade dada ao plantio da nova safra também tem restringido a oferta de mandioca no mercado. Apesar da expectativa de redução da área cultivada em 2026, os mandiocultores estão concentrando esforços na implantação das novas lavouras, o que pode afetar a disponibilidade de matéria-prima para a indústria.
Com a menor disponibilidade de raízes, a indústria se vê obrigada a competir por um volume reduzido de mandioca, o que tem elevado as cotações. Essa dinâmica pode beneficiar os produtores que conseguem manter suas lavouras, mas também gera preocupação em relação ao abastecimento das fecularias.
Na última semana, a média semanal da mandioca posta fecularia subiu 2%, alcançando R$ 471,05 por tonelada. Esse aumento representa a maior valorização semanal desde março e indica um movimento de recuperação dos preços ao produtor, que pode impactar positivamente a renda rural.
Além do recente avanço, o mercado de mandioca já apresenta uma tendência positiva nas últimas semanas. No acumulado das quatro semanas anteriores, o preço médio da mandioca teve uma valorização de 1,9%, evidenciando um ambiente de oferta ajustada e sustentação das cotações.
As perspectivas para o mercado da mandioca indicam que os preços devem continuar firmes enquanto a disponibilidade de raízes permanecer limitada e a demanda industrial se mantiver aquecida. O comportamento dos produtores, que priorizam o plantio em detrimento da comercialização, deve manter a oferta restrita no curto prazo, influenciando a formação dos preços nos próximos meses.











