O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma tendência de alta nos preços, mesmo com a desaceleração nas negociações em junho. A baixa disponibilidade do produto da safra anterior e a necessidade de importação para atender a demanda interna foram fatores determinantes para essa valorização.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o cenário atual reflete um equilíbrio frágil entre oferta e demanda. Ele destaca que a menor disponibilidade de trigo no mercado interno, somada à necessidade de importação, sustentou os preços, mesmo em um ambiente de liquidez limitada.
Desempenho do mercado no primeiro semestre
Apesar da pressão de baixa em junho, o desempenho acumulado do semestre foi positivo nas principais regiões produtoras. No Paraná, por exemplo, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, com uma alta acumulada de 19,9% em relação ao ano anterior.
No Rio Grande do Sul, a valorização foi ainda mais expressiva, com um avanço de 24,9% no semestre. Contudo, junho registrou uma queda de 5,1%, levando a média para R$ 1.290 por tonelada FOB, influenciada pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pela forte demanda externa.
Elcio Bento ressalta que a retração observada em junho não representa uma mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste técnico após meses de valorização. Ele acredita que a oferta limitada e os estoques apertados impedem uma queda mais acentuada dos preços.
Fatores que influenciam o mercado
O ambiente de baixa liquidez continua a ser uma característica marcante do mercado físico brasileiro de trigo. Muitos produtores estão retendo parte do produto, aguardando melhores condições de preços, enquanto os moinhos realizam compras pontuais devido à dificuldade de repassar os custos ao preço da farinha.
No cenário internacional, o trigo negociado em Kansas teve uma valorização de 15,5% no primeiro semestre, enquanto o trigo argentino, importante para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7%. A valorização do real frente ao dólar também ajudou a reduzir a pressão sobre os preços internos.
Para o segundo semestre, as perspectivas permanecem atreladas a fatores climáticos e cambiais. O desenvolvimento da safra nacional e as condições climáticas na Argentina serão fundamentais para a formação dos preços no mercado. Segundo Bento, esses fatores continuarão a oferecer sustentação estrutural aos preços do trigo no Brasil.











