O preço do trigo no Sul do Brasil permanece firme, impulsionado pela alta demanda dos moinhos e pela oferta restrita de produtos de qualidade. A valorização do trigo nacional em relação ao importado também contribui para a sustentação dos preços, que se mostram resilientes em um cenário de incertezas climáticas nos Estados Unidos.
No Rio Grande do Sul, os moinhos estão em busca constante de trigo de melhor padrão, mas enfrentam dificuldades para encontrar lotes disponíveis. Recentemente, o cereal foi negociado a até R$ 1.500 por tonelada CIF, refletindo a preferência dos compradores pelo produto nacional, que é visto como mais confiável em termos de qualidade e logística.
Desafios na Safra e Expectativas para o Futuro
A situação da nova safra preocupa os produtores, com uma expectativa de redução de pelo menos 25% na área cultivada no Rio Grande do Sul. Além disso, os investimentos em adubação devem cair em até 60%, o que pode impactar negativamente a produtividade e a qualidade do trigo.
Em Santa Catarina, o mercado se mantém mais estável, com preços mínimos ao redor de R$ 1.350 por tonelada FOB. Já no Paraná, os preços variam entre R$ 1.320 e R$ 1.400 FOB, com negociações firmes e novas indicações de venda que podem alcançar até R$ 1.500 FOB.
O cenário internacional também influencia o mercado brasileiro. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do trigo apresentaram leve alta, refletindo a deterioração das lavouras de inverno nos Estados Unidos, onde 71% das áreas cultivadas enfrentam seca. Essa situação pode resultar em uma das piores colheitas desde 1972/73, segundo projeções do USDA.
Para o produtor rural, a combinação de preços firmes e a preocupação com a nova safra indicam a necessidade de estratégias de manejo e investimento cuidadosas. Já para o consumidor, a valorização do trigo pode impactar os preços dos produtos derivados, como pães e massas, refletindo diretamente na economia regional.
Com a qualidade do trigo brasileiro se destacando no mercado, a expectativa é que os moinhos continuem a priorizar a compra do produto nacional. A dinâmica de preços e a oferta restrita devem continuar a moldar o cenário do agronegócio nos próximos meses.











