O preço do trigo no Sul do Brasil apresenta uma tendência de alta, refletindo a combinação de menor área cultivada e redução nos investimentos em tecnologia. Esse cenário, especialmente no Rio Grande do Sul, pode impactar significativamente a produção rural e a economia regional, levando a um aumento nas importações do cereal em 2026.
Dados da TF Agroeconômica indicam que a valorização do trigo é impulsionada pela demanda crescente e pela expectativa de uma safra reduzida. No Rio Grande do Sul, o trigo branqueador está sendo negociado a R$ 1.450 por tonelada, enquanto o trigo pão apresenta preços em torno de R$ 1.350 a R$ 1.370 para os próximos meses.
Expectativa de menor produção e aumento nas importações
A consultoria alerta que a diminuição da área cultivada e a falta de investimento em tecnologia podem resultar em uma colheita de apenas 6,5 milhões de toneladas. Com as importações projetadas em 6,75 milhões de toneladas, a dependência do trigo importado tende a aumentar, o que pode elevar os preços internos e aproximá-los dos valores internacionais.
Os moinhos já estão com a maior parte do abastecimento para junho garantido, mas a cobertura para julho é de apenas 40%. Isso indica que os compradores estão se preparando para as necessidades de agosto, o que pode pressionar ainda mais os preços.
Em Santa Catarina, o mercado se manteve estável, com preços variando entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. No entanto, algumas regiões, como Chapecó e Xanxerê, registraram aumentos nos valores pagos aos produtores, refletindo a dinâmica de oferta e demanda.
No Paraná, a concorrência entre as indústrias de farinha tem limitado reajustes significativos nos preços do trigo. As negociações estão em torno de R$ 1.400 por tonelada, com o trigo branqueador próximo de R$ 1.450 FOB.
Com a expectativa de uma safra menor e a crescente necessidade de importações, o mercado de trigo no Brasil se prepara para um segundo semestre desafiador. A volatilidade deve ser a norma, à medida que a oferta interna diminui e a dependência do trigo importado se intensifica, impactando tanto os produtores quanto os consumidores.











