O mercado brasileiro de milho está em plena expansão, com a produção prevista para alcançar 138 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o relatório AgroInfo de junho de 2026, do Rabobank. Este volume representa um aumento de um milhão de toneladas em relação à estimativa anterior, consolidando uma das maiores colheitas da história do Brasil.
A boa performance do milho safrinha em Mato Grosso, favorecida por condições climáticas adequadas, é um dos principais fatores para essa revisão positiva. Apesar de algumas perdas em regiões específicas, a produtividade no estado líder de produção compensou as limitações enfrentadas.
Desafios na exportação e custos logísticos
Com a produção em alta, o mercado enfrenta o desafio de absorver esse volume adicional. A combinação de maior oferta e a concorrência internacional mais intensa devem limitar as exportações brasileiras em 2026, com uma projeção de embarques em torno de 39 milhões de toneladas, cerca de 3 milhões a menos do que em 2025.
A valorização do real em relação ao dólar também impacta a competitividade do milho brasileiro no exterior, especialmente com a forte presença dos Estados Unidos e da Argentina no comércio global. Além disso, os custos logísticos, que já aumentaram mais de 10% no primeiro semestre de 2026, afetam diretamente a rentabilidade dos produtores.
Esse aumento nos custos pode desacelerar a comercialização do milho, resultando em uma maior permanência do produto no mercado interno. Por outro lado, isso pode beneficiar indústrias que utilizam o cereal, como a de proteína animal e as usinas de etanol, que deverão aumentar sua demanda.
Crescimento do consumo interno
Enquanto as exportações enfrentam dificuldades, o consumo interno de milho continua em crescimento. O Rabobank estima que o consumo brasileiro chegue a aproximadamente 97 milhões de toneladas em 2026, um aumento de cerca de 5% em relação ao ano anterior, impulsionado pela produção de aves, suínos e pela indústria de etanol de milho.
Esse crescimento no consumo ajuda a equilibrar a oferta adicional no mercado, mas os preços do milho já começam a sentir os efeitos da alta produção e da menor demanda externa. Recentemente, os preços registraram uma queda de cerca de 2%, refletindo o ajuste natural do mercado.
Apesar das perspectivas otimistas, o clima continua sendo um fator de atenção. Dados recentes mostram que a colheita do milho safrinha em Mato Grosso está avançando, mas geadas localizadas em áreas do Paraná e Santa Catarina são motivo de monitoramento constante.
Em suma, o Brasil se posiciona como um dos principais produtores e exportadores de milho do mundo, com uma safra robusta prevista para 2026. No entanto, a dinâmica do mercado será influenciada por fatores como câmbio, custos logísticos e condições climáticas, que determinarão a rentabilidade dos produtores nos próximos meses.











