Produção de sorgo cresce e ganha protagonismo para mercado de biocombustíveis na Bahia

A produção de sorgo na Bahia deve crescer 39,3% na safra 2024/25, em confrontação com o ciclo anterior. Segundo dados mais recentes da Companhia Pátrio de Provimento (Conab), a estimativa é de uma colheita de 728 milénio toneladas, com aumento de 5% na superfície plantada, que deve conseguir 206 milénio hectares.

Tradicionalmente usado para cobertura do solo durante a entressafra da soja, o sorgo ganha agora novo protagonismo no campo. Além de sua função na manutenção do solo e porquê substância para ração bicho, o grão passa a ser visto porquê uma das principais apostas para a produção de biocombustíveis, porquê etanol e biodiesel na região Oeste da Bahia.

Nesse contexto, Carlos Roberto Oizimas, gerente de uma herdade em Luís Eduardo Magalhães (BA), lembra que o sorgo inicialmente era cultivado exclusivamente para enriquecer o solo, mas que o manejo evoluiu ao longo dos anos.

“Era mais para cobertura de solo, visando aportar material orgânica e melhorar a biologia do solo. Com o tempo a gente viu que ele tinha um potencial e fomos evoluindo em manejo. Fomos trazendo as ferramentas da soja também para o sorgo. Hoje ele já ajuda a remunerar o dispêndio da soja”, explica.

Plantação de sorgo no Oeste da Bahia
Plantação de sorgo no Oeste da Bahia | Imagem: Escritório Script

Com a instalação de uma biorrefinaria da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães, produtores esperam mais firmeza no mercado, mormente em relação aos preços da cultura.

Do mesmo modo, o produtor rústico Greico Henrique destaca o novo cenário: “A expectativa é que o sorgo deixe de ser uma safrinha e passe a ter mais valor. Serve para ração, etanol e biodiesel”.

Pedro Cappelleso, produtor com áreas irrigadas e de sequeiro, também aposta no progressão da cultura. “É um resultado que vai muito na ração e está recebendo novas tecnologias. No sequeiro, com menos chuva, estimamos 70 sacas por hectare. No pivô, deve chegar a 150 ou 160 sacas”, relata.

Verticalização da produção

A presença da indústria é vista porquê um fator estratégico. Para o engenheiro agrônomo Diego Batista Aires, o desenvolvimento do cultivo começa a ter relação com a chegada da Inpasa.

“A gente está vendo o desenvolvimento exponencial no Oeste da Bahia. Produtores que não plantavam sorgo hoje estão vendo a possibilidade de plantar devido a empresa passar essa credibilidade, essa segurança de travar o sorgo (preço)”, disse.

Segundo Irineo Piaia Junior, gerente de originação de grãos da Inpasa, a unidade vai processar murado de 1 milhão de toneladas de milho e/ou sorgo, gerando em torno de 450 milhões de litros de etanol.

Refinaria da Inpasa em Sinop, Mato Grosso
Refinaria da Inpasa em Sinop (MT) | Foto: Divulgação

Ou por outra, de convénio com Irineo, a indústria de biocombustíveis deve gerar empregos na região.“Vemos um grande potencial de aumento de superfície e produtividade no Oeste da Bahia. Agora, no momento da obra, a gente chega a ter 2.000, talvez 2.500 pessoas diretas e indiretas na construção da indústria.”, destaca.

Porquê resultado, também pontou sobre o quantitativo de colaboradores diretos. “E posteriormente, quando a vegetal estiver pronta, estimamos em torno de 450 pessoas no quadro”.

Por termo, ainda durante entrevista exclusiva ao repórter Vinicius Ramos, o gerente também detalhou a diferença entre milho e o sorgo na produção do biocombustíveis.

“No processo industrial com o milho eu consigo produzir o etanol, o DDGS ({sigla} em inglês que significa grãos secos de destilaria com solúveis) e consigo extrair um pouco de óleo. Já com o sorgo a gente só não tem essa extração do óleo”, explica.


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