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Programação de embarques de açúcar recua 20% e Rabobank prevê déficit global
Foto original adaptada visualmente por IA.
Agro

Programação de embarques de açúcar recua 20% e Rabobank prevê déficit global

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A programação de embarques de açúcar nos portos brasileiros caiu para 1,505 milhão de toneladas na semana encerrada em 4 de novembro, ante 1,884 milhão de toneladas no período anterior. A redução foi de aproximadamente 20,1%, segundo levantamento divulgado pelo Portal do Agronegócio.

O line-up reúne 42 navios, entre embarcações ancoradas, à espera de atracação e com chegada prevista até 4 de dezembro. Como se trata de uma programação logística, os volumes ainda podem ser alterados e não representam exportações já concluídas.

O Porto de Santos, em São Paulo, concentra a maior parte da carga prevista, com 1.046.240 toneladas. Paranaguá, no Paraná, aparece na sequência, com 324.230 toneladas. Também estão programadas 56.486 toneladas para Recife e 47 mil toneladas para Suape, em Pernambuco, além de 31,5 mil toneladas para Maceió, em Alagoas.

O açúcar VHP predomina entre os produtos relacionados no levantamento. A programação também inclui açúcar cristal B-150, refinado A45 e açúcar ensacado.

O cenário ocorre em meio à revisão das expectativas para a oferta brasileira. No relatório Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2027, o Rabobank estima produção de 37,4 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27 e déficit mundial de 2,2 milhões de toneladas no ciclo internacional 2026/27.

De acordo com a análise do banco, as chuvas atípicas afetaram o ritmo de processamento, a produtividade dos canaviais e a parcela da cana destinada à fabricação de açúcar. Até o fim de setembro, a moagem no Centro-Sul somava 482 milhões de toneladas, contra 490 milhões no mesmo período da temporada anterior, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pelo Rabobank.

A produção de açúcar teve queda mais acentuada: foram 28,9 milhões de toneladas, ante 33,5 milhões em igual intervalo da safra 2025/26. A diferença foi de 4,6 milhões de toneladas. Para o banco, as usinas priorizaram ampliar o processamento da cana disponível, estratégia que nem sempre permite maximizar ao mesmo tempo a produção de açúcar. A continuidade das chuvas também mantém o risco de parte da matéria-prima permanecer no campo.

Para a safra 2027/28, o Rabobank considera possível uma recuperação expressiva da produção no Centro-Sul. As chuvas de 2026 podem favorecer a produtividade no ano seguinte, enquanto um eventual volume de 20 milhões a 30 milhões de toneladas de cana bisada poderia aumentar a disponibilidade para moagem.

Em um cenário de processamento de 655 milhões de toneladas de cana, com 49,5% da matéria-prima direcionada ao açúcar, a produção poderia alcançar 42,5 milhões de toneladas em 2027/28. A projeção depende da confirmação das condições agrícolas e industriais avaliadas pelo banco.

O relatório também aponta que a expansão do etanol de milho pode pressionar os preços do biocombustível e estimular uma estratégia mais voltada ao açúcar nas usinas de cana.

Na Ásia, a expectativa de menor produção da Tailândia em 2026/27 está associada principalmente à substituição de áreas de cana por mandioca. Segundo o Rabobank, a mudança reflete preços menos atrativos para a cana e o aumento dos custos dos fertilizantes.

Na Índia, as chuvas de monção abaixo do normal na região oeste aumentam as preocupações com a safra. O governo orientou o setor a priorizar a produção de açúcar, sem destinar matéria-prima ao etanol combustível em 2026/27. As estimativas citadas pelo banco variam de 26,5 milhões a 27 milhões de toneladas. Caso a produção fique abaixo de 28 milhões de toneladas, o RaboResearch avalia que o país poderá precisar ampliar as importações em 2027.

A China tende a manter uma produção próxima das 13 milhões de toneladas registradas em 2025/26, reduzindo a necessidade de compras externas. Considerando esse cenário, o RaboResearch projeta déficit global de 2,2 milhões de toneladas no ano-safra internacional 2026/27.

Na avaliação do banco, uma recuperação da produção brasileira em 2027 não necessariamente resultaria em excesso de oferta no mercado mundial. O Rabobank também considera possíveis impactos adicionais do El Niño sobre países produtores da Ásia.

Para os preços do açúcar em Nova York, a projeção preliminar do banco para 2027 varia de 17 a 19 centavos de dólar por libra-peso. Além do desempenho das safras, o mercado acompanha a atuação dos fundos de investimento e o cenário macroeconômico. Alterações no apetite desses investidores podem pressionar as cotações, enquanto as tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo e derivados acrescentam volatilidade à relação entre açúcar e etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio.

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