Um projeto inovador em Fernando de Noronha está oferecendo suporte a mães e crianças neurodivergentes por meio de tratamentos com canabidiol (CBD). A iniciativa, chamada Projeto Noronha, foi criada para atender famílias que enfrentam desafios relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neuropsiquiátricas.
A professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, é um exemplo de como o projeto tem impactado positivamente a vida de mães e filhos. Seu filho, diagnosticado com TEA e TDAH, começou o tratamento com CBD em março e apresentou melhorias significativas no comportamento.
Mutirões e suporte contínuo
Nos últimos meses, o Projeto Noronha realizou mutirões de saúde, oferecendo 126 consultas médicas e distribuindo 221 óleos de canabidiol gratuitamente. A ação é uma parceria entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha.
Com o sucesso dos mutirões, a iniciativa planeja construir uma sede para oferecer acompanhamento contínuo às famílias. “Estamos ajudando a estruturar uma rede permanente de suporte para essas famílias”, afirmou Alexandre Assis, diretor da Abecmed.
Além do tratamento das crianças, o projeto também se preocupa com as mães, que frequentemente enfrentam sobrecarga emocional. Rebeca Allen, presidente da AMA-FN, relatou que o suporte psicológico é essencial para o bem-estar das cuidadoras.
Desafios da saúde pública em Noronha
A saúde pública em Fernando de Noronha enfrenta desafios significativos, com apenas uma unidade médica disponível para atender a população. A distância de 545 quilômetros até Recife, onde estão os principais serviços de saúde, torna o acesso a tratamentos complexos ainda mais difícil.
Um relatório recente indicou que 70,6% dos atendimentos realizados durante os mutirões foram relacionados a questões de saúde mental. A demanda por suporte psicológico é alta, refletindo a necessidade de intervenções mais eficazes na ilha.
O Projeto Noronha não apenas oferece tratamento, mas também busca entender o impacto social e econômico da saúde mental na comunidade. “Estamos coletando dados para gerar pesquisas na área”, concluiu Alexandre Assis.











