Uma piada sobre um candidato, um desabafo político ou a defesa de uma causa não comprovam, isoladamente, a existência de uma campanha eleitoral. A suspeita surge quando o influenciador mantém o formato pelo qual se tornou conhecido, mas passa a direcionar repetidamente o conteúdo contra um nome ou em benefício de outro.
Mesmo sem número, partido ou pedido explícito de voto, a propaganda pode chegar ao eleitor com aparência de meme, análise pessoal ou manifestação espontânea. O alerta é maior quando o formato do criador permanece o mesmo, mas o alvo político se torna constante.
Recém-eleito suplente de deputado federal pelo Paraná, Sérgio Fialho, de 40 anos, relatou que não conseguiu impulsionar as próprias publicações no Instagram durante a campanha. A experiência o levou a questionar conteúdos eleitorais que não aparecem como anúncios por serem incorporados à linguagem habitual de influenciadores.
“Quando existe um anúncio oficial, o público consegue identificar o candidato e a natureza política daquela mensagem. No conteúdo disfarçado de opinião, nem sempre é possível saber quem escolheu a pauta ou se houve alguma vantagem. Esse é o primeiro alerta: o formato do criador continua igual, mas o alvo político se torna constante”, afirma Fialho.
Outra possibilidade ocorre quando uma candidatura é inserida na defesa de uma causa mais ampla. Em 2018, a jornalista e influenciadora Paula Holanda relatou ter aceitado uma ação remunerada apresentada como militância ligada a pautas feministas, negras e LGBT.
Segundo ela, depois percebeu que as orientações recebidas promoviam candidaturas específicas do PT. O caso ficou conhecido como “mensalinho do Twitter” e foi levado à apuração. Na época, representantes envolvidos negaram ter autorizado pagamentos irregulares.
“O influenciador pode aceitar uma ação porque concorda com a causa e só depois perceber que está sendo conduzido a elogiar determinados candidatos. Quando começam a chegar nomes, textos e direcionamentos prontos, é preciso perguntar quem está organizando e financiando aquele conteúdo”, explica Fialho.
Uma terceira forma está relacionada à recompensa, que nem sempre recebe o nome de cachê.











