Uma pesquisa da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) revelou que a conectividade entre viveiros de peixes dentro de uma mesma bacia hidrográfica pode facilitar a transmissão de doenças na aquicultura. O estudo, inédito no Brasil, aplicou um protocolo italiano baseado em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e aponta caminhos para reforçar a vigilância sanitária e prevenir surtos na piscicultura.
Os resultados, publicados na revista Frontiers in Marine Science, indicam que a dinâmica da água desempenha um papel central na propagação de patógenos, especialmente em sistemas produtivos interligados hidrologicamente. Essa descoberta é crucial para o agronegócio, pois a saúde dos peixes impacta diretamente a produção e a rentabilidade dos produtores.
Tecnologia geoespacial cria mapa de risco sanitário na aquicultura
A pesquisa utilizou uma metodologia desenvolvida pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), da Itália, adaptada à realidade brasileira em parceria com a Embrapa. A ferramenta permite mapear propriedades aquícolas e classificá-las conforme o nível de risco de contaminação, considerando o fluxo da água dentro da bacia hidrográfica.
O modelo identifica a direção da conectividade hídrica entre os viveiros, levando em conta se estão a montante ou a jusante de possíveis focos de infecção. Essa abordagem pode ajudar os produtores a tomarem decisões informadas sobre a gestão de seus viveiros, minimizando riscos de surtos.
O estudo focou no acantocéfalo, um parasita que afeta principalmente o tambaqui, uma das espécies mais importantes da piscicultura brasileira. A escolha do acantocéfalo se deu pela relevância econômica e pela disponibilidade de dados sobre a doença, que pode causar perdas significativas na produção.
Além dos impactos sanitários, o acantocéfalo gera prejuízos econômicos, com peixes infectados apresentando redução de até 20% no ganho de peso esperado. Em regiões como a Amazônia, onde a logística é desafiadora, pequenas perdas podem ter um impacto expressivo na margem do produtor.
O protocolo desenvolvido não apenas ajuda a identificar propriedades em risco, mas também abre caminho para um sistema de alerta precoce na piscicultura. Com a detecção de um foco de doença, é possível identificar rapidamente as propriedades potencialmente expostas, otimizando ações de vigilância e contenção.
Por fim, a validação do protocolo representa um avanço importante para o uso de inteligência geográfica na aquicultura. No entanto, sua implementação em larga escala depende de melhorias estruturais, como a integração de dados e o fortalecimento das políticas de vigilância sanitária, essenciais para garantir a sustentabilidade da piscicultura brasileira.











