A queda da fertilidade global e as mudanças demográficas estão impactando diretamente o cenário das commodities, segundo análise de Marcos Rubin, CEO da Veeries. Essa transformação pode trazer consequências significativas para o agronegócio e a produção rural nos próximos anos.
Atualmente, nenhum país monitorado pela ONU apresenta taxas de fertilidade dentro das projeções mais pessimistas feitas anteriormente. A maioria dos índices está abaixo do que era previsto, o que pode alterar a dinâmica de oferta e demanda no mercado agrícola.
Desafios para o futuro da produção rural
Para que haja um equilíbrio populacional sustentável, a taxa de reposição demográfica deve ser de cerca de 2,1 filhos por mulher. No entanto, países como Brasil, com 1,6 filho por mulher, e China, com apenas 1,0, estão bem abaixo dessa referência, o que pode indicar um futuro de escassez de mão de obra e consumidores.
A China, em particular, apresenta a maior discrepância entre as projeções e a realidade. A expectativa de uma taxa de fertilidade entre 1,7 e 1,9 filhos por mulher não se concretizou, o que levanta preocupações sobre um possível colapso populacional em economias que já enfrentam essa queda há anos.
Os efeitos econômicos dessa mudança demográfica não são imediatos, mas devem se intensificar em um horizonte de cinco a dez anos. O envelhecimento da população e a diminuição da força de trabalho podem afetar a produção agrícola e a demanda por alimentos.
Impactos nas commodities e na economia regional
No agronegócio, a principal implicação é a necessidade de revisão das premissas de demanda global por alimentos. A expectativa de crescimento populacional linear pode estar superestimando o futuro consumo, obrigando os produtores a repensarem suas estratégias.
Com a desaceleração ou até a redução da população em mercados consumidores importantes, a demografia deixa de ser um motor de crescimento para as commodities. Assim, a eficiência produtiva e a abertura de novos mercados se tornam essenciais para garantir a sustentabilidade do setor.











