O governo Lula (PT) expressou seu descontentamento na madrugada desta quinta-feira, 16 de julho, em relação à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A administração argumentou que, considerando o superávit comercial dos EUA com o Brasil, não há justificativa para essa medida.
Em resposta, o Brasil iniciará os procedimentos para acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso em 2025. Essa legislação permite que o país adote contramedidas contra ações unilaterais que prejudiquem sua competitividade, como tarifas sobre importações e suspensão de concessões comerciais.
Impactos e Desdobramentos da Decisão
As autoridades brasileiras também planejam levar a questão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. Além disso, o governo pretende diversificar mercados e apoiar setores afetados por meio do Plano Brasil Soberano.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social destacou que o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais de comércio. O governo brasileiro enfatizou que, apesar das dificuldades, sempre esteve aberto ao diálogo para defender os interesses nacionais.
O comunicado também refutou as alegações feitas pelos EUA sobre práticas desleais de comércio, classificando-as como infundadas. As acusações relacionadas ao sistema de pagamentos Pix e à regulação de plataformas digitais foram consideradas “descabidas”, enquanto as alegações sobre desmatamento foram descritas como “absurdas”.
O texto ainda criticou a atuação da família Bolsonaro e rotulou os defensores do tarifaço como “falsos patriotas”, motivados por interesses eleitorais. A nota concluiu que a proteção da soberania nacional deve estar acima de disputas partidárias.
A imposição das tarifas representa um revés para o governo Lula e para as tentativas de empresas e entidades dos dois países de evitar uma escalada nas tensões comerciais. O impacto real do tarifaço dependerá dos produtos afetados e das possíveis exceções, com a carne e o café, por exemplo, inicialmente excluídos das novas tarifas.











