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Relatório aponta que cibercrime se tornou indústria impulsionada por inteligência artifici…
Foto original adaptada visualmente por IA.
Inteligência Artificial

Relatório aponta que cibercrime se tornou indústria impulsionada por inteligência artifici…

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O cibercrime deixou de se concentrar em ataques isolados e passou a operar como uma economia criminosa organizada, impulsionada por inteligência artificial (IA), automação e serviços especializados. Essa é a principal conclusão do Relatório sobre o Cenário de Ameaças de 2026, divulgado pela Infoblox, empresa de segurança de redes.

Segundo o estudo, a profissionalização das operações criminosas reduziu o tempo disponível para que empresas detectem e respondam a ataques. Com isso, estratégias de segurança baseadas apenas em detecção e resposta se tornam menos eficazes.

A análise foi elaborada a partir de trilhões de consultas ao sistema de nomes de domínio (DNS), bilhões de transações realizadas em ambientes clandestinos e pesquisas conduzidas pela equipe Infoblox Threat Intel.

IA e serviços especializados aceleram ataques

De acordo com o relatório, a combinação entre ferramentas de IA, serviços criminosos especializados e infraestruturas ocultas permite que hackers realizem ataques com mais rapidez, escala e eficiência.

A Infoblox afirma que o cibercrime passou a funcionar como um ecossistema interconectado. Nele, diferentes grupos oferecem serviços específicos, como hospedagem de infraestrutura, distribuição de malware e ferramentas para ocultar atividades maliciosas. Segundo a empresa, esse modelo reduz as barreiras de entrada para criminosos e amplia o alcance das operações.

“O relatório deste ano documenta a máquina do cibercrime, uma economia criminosa globalmente conectada, na qual a IA de fronteira, os serviços criminosos especializados e as infraestruturas ocultas transformaram a forma como os ataques são criados, adquiridos e executados”, afirmou Renée Burton, vice-presidente da Infoblox Threat Intel.

Ela acrescentou que a principal mudança não está apenas na sofisticação dos ataques, mas também na facilidade de acesso a recursos avançados. “A mudança mais importante não é o fato de os hackers terem se tornado mais sofisticados, mas que recursos avançados passaram a estar amplamente acessíveis. Isso altera o ritmo do cibercrime e desafia estratégias de segurança construídas principalmente em torno da detecção e da resposta”, disse.

Infraestrutura temporária dificulta defesa

O relatório também destaca o uso crescente de infraestrutura temporária para sustentar ataques cibernéticos. Segundo a Infoblox, cerca de 25% dos 120 milhões de domínios observados pela primeira vez apresentavam risco alto ou crítico, indicando o uso de uma grande quantidade de domínios descartáveis em atividades criminosas.

O estudo aponta ainda que 88% dos domínios associados a ameaças foram identificados no ambiente de apenas um cliente. Além disso, 44% permaneceram ativos por somente um dia. A estratégia dificulta a identificação e o bloqueio dos endereços pelas equipes de segurança.

Sistemas direcionam vítimas para golpes

Os chamados Traffic Distribution Systems (TDSs) foram a ameaça mais comum identificada pela empresa, estando presentes em mais de 95% das redes analisadas. Esses sistemas direcionam automaticamente vítimas para páginas de phishing, distribuição de malware e golpes online, adaptando os ataques ao perfil do usuário ou do dispositivo acessado.

Segundo a Infoblox, por operarem de maneira discreta e distribuída, essas estruturas estão entre as mais difíceis de detectar.

Proxies residenciais ocultam ações criminosas

As redes de proxies residenciais também aparecem entre os recursos amplamente utilizados pelos criminosos. Elas foram identificadas em consultas realizadas por 65% dos clientes do Infoblox Threat Defense.

Essas redes permitem que atividades maliciosas utilizem endereços IP de conexões residenciais legítimas, dificultando a diferenciação entre o tráfego normal e as ações criminosas. Na prática, isso aumenta as chances de os ataques passarem despercebidos pelos sistemas tradicionais de monitoramento.

O levantamento também indica crescimento nas fraudes digitais. De acordo com a Infoblox, o número de domínios relacionados a golpes aumentou 62% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente por falsificação de marcas, roubo de identidade e fraudes financeiras.

Empresas precisam rever estratégias

Na avaliação da Infoblox, o cenário mostra que o cibercrime passou a operar como uma cadeia produtiva especializada, baseada em automação, compartilhamento de infraestrutura e prestação de serviços entre grupos criminosos.

Para a empresa, essa transformação exige que as organizações revisem suas estratégias de segurança e adotem abordagens capazes de identificar e interromper ameaças antes que elas atinjam usuários e sistemas corporativos, em vez de depender exclusivamente da detecção após o início dos ataques.

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