Ricardo Nunes toma posse para mais um mandato na prefeitura de São Paulo

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) foi empossado nesta quarta-feira (1º), em cerimônia realizada na Câmara Municipal, na região central da capital, para um segundo mandato de quatro anos à frente da prefeitura de São Paulo . Ainda nesta tarde, o prefeito participará de uma solenidade no Theatro Municipal que vai marcar seu primeiro ato deste mandato. Também tomou posse o vice-prefeito, o coronel Ricardo de Mello Araújo, e os novos vereadores eleitos.

No primeiro discurso do mandato, o prefeito agradeceu a Deus, aos seus familiares e ao ex-vereador Milton Leite, que segundo Nunes está deixando a política com “um marco importante” pelo fato da Câmara ter aprovado 102 projetos do Executivo na atual gestão. Ele citou brevemente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), agradecendo-lhe pela indicação de Mello Araújo como vice em sua chapa, e também Bruno Covas, de quem Nunes herdou o mandato em 2021, de quem ele disse que recebeu “lições” que pretende seguir. Mas foi o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não estava presente na posse, quem foi o mais destacado, sendo chamado de “grande amigo” e “líder” pelo prefeito.

— Confesso que assumir a prefeitura naquelas circunstâncias, perdendo um amigo e um exemplo, foi um momento de dor e de tristeza e senti naquele momento a responsabilidade que é cuidar da vida de 12 milhões de pessoas. As lições de Bruno Covas me serviram como rumo e alento — disse.

Nunes ainda citou os “piores momentos” da cidade durante a pandemia da Covid-19 e falou sobre “a força dos paulistanos”. Sua fala foi um balanço de sua gestão, destacando suas visitas aos bairros da periferia, os R$ 36 bilhões de investimentos nos últimos quatro anos, a construção de unidades de saúde e a contratação de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e prometeu mais 2 mil guardas nesta gestão.

Em sua fala após ser empossado, Mello Araújo agradeceu a Deus, aos seus familiares e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que o convenceu a entrar para a política e o nomeou presidente do Ceagesp em 2019. Ele ainda citou uma frase do papa João Paulo II, pregou União para melhorar a cidade e pediu um trabalho conjunto com os vereadores, e disse que saiu de uma “zona de conforto” de seu emprego para “fazer a administração pública funcionar”. Ele fez menção ao desejo de ter “uma cidade com zero crimes” em que “a população tenha tranquilidade para andar nas ruas com o celular nas mãos”.

— Hoje estamos todos em uma missão de mostrar respeito ao dinheiro público, de transformar a vida das pessoas em algo melhor, de dar segurança, saúde, educação, mobilidade, tudo o que o povo precisa. Temos dinheiro, As contas da cidade em dia, fruto do excelente trabalho do prefeito e sua equipe. A receita não é difícil: deixar as vaidades de lado, e ser um time — falou. — Vamos sair daqui a quatro anos por uma porta que terá altura suficiente para sairmos de cabeça erguida, por termos entregado uma cidade melhor.

O momento mais tenso da posse dos vereadores foi quando a recém-eleita Zoe Martinez fez um discurso defendendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que gerou vaias da oposição. A vereadora Silva da Bancada Feminista (PSOL) gritou “sem anistia para golpistas” enquanto segurava um cartaz com a mesma frase, e houve gritaria entre vereadores bolsonaristas de um lado, e petistas e psolistas do outro, que só foi interrompida quando o vereador Eliseu Gabriel pediu silêncio.

Nunes chega ao novo mandato com desafios que vão da cracolândia aos apagões, passam pelos índices da educação e obras de mobilidade.

Houve mudanças no secretariado, mas o chefe do Executivo municipal deixou claro que apostará num governo de continuidade ao manter em postos-chave Edson Aparecido, na Secretaria de Governo, Luiz Zamarco, na Saúde, e Fernando Padula, na Educação. Apesar de ter sido eleito com uma coligação de 11 partidos, o “leilão de cargos” foi limitado a pastas com orçamentos menores. Sua própria sigla, o MDB, foi quem ficou com mais secretarias.

Entre seus desafios, destacam-se o cumprimento de promessas de seu primeiro mandato, como a construção de corredores e terminais de ônibus e a melhoria dos índices educacionais, e dar uma resposta a questões antigas da cidade, como a Cracolândia e o Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão — Nunes ainda não sinalizou se pretende demolir o local ou transformá-lo em parque.

Na gestão anterior, Nunes apostou em centenas de obras emergenciais, sobretudo nas áreas periféricas, relacionadas à contenção de encostas, escoamento da água da chuva e canalização de córregos, e se orgulha de dizer que reduziu as mortes em alagamentos e deslizamentos na cidade. Em algumas regiões, houve de fato melhora, mas as enchentes ainda são uma realidade na cidade, especialmente durante o verão, quando chuvas de meia hora deixam vias importantes da cidade intransitáveis.

Ainda em relação ao clima, um problema que ganhou destaque nos últimos dois anos e que será cobrado pela população são os apagões. Cada vez mais frequentes, as quedas de energia viraram motivo de queda de braço entre prefeitura, Enel e governo federal, e aqueceram o debate sobre enterramento de fios e podas de árvores — atribuições da prefeitura.

Outros desafios para o prefeito nessa área passam pelo preparo da cidade para ondas de calor e frio extremo e na redução de gases poluentes, que passa pela eletrificação da frota de ônibus que até foi prometida por Nunes, mas não foi concluída. O incentivo ao uso do transporte público e de bicicletas também seguem como demandas da cidade, e o prefeito precisará cumprir as metas de construção de terminais e corredores de ônibus e novas ciclovias prometidas. Também nesta área, a duplicação da estrada do M’Boi Mirim, na Zona Sul, é um desafio.

O crescente aumento do subsídio para as concessionárias de ônibus também será uma questão a ser enfrentada ao mesmo tempo em que o prefeito mantém a tarifa zero aos domingos e promete ampliar o benefício para mães que tenham filhos matriculados em creches municipais. Na semana passada, o prefeito anunciou o aumento da tarifa de ônibus para R$ 5. Ainda nessa seara, Nunes deve enfrentar um longo processo para rescindir o contrato com as empresas Transwolff e UpBus, suspeitas de lavarem dinheiro para o crime organizado. O aumento de mortes no trânsito também precisará ser alvo de medidas da prefeitura.

Em relação à segurança pública, apesar da competência principal ser da gestão estadual, Nunes sabe que precisará investir nessa área para aumentar a sensação de segurança dos paulistanos. O prefeito terá os próximos anos para mostrar resultados do Smart Sampa, programa de monitoramento por câmeras com reconhecimento facial que foi o seu principal investimento nesse setor, e ampliar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana (GCM), além de adotar medidas como a melhoria da iluminação urbana.

A Cracolândia, problema de três décadas, está longe de ser resolvida e, durante a gestão de Bruno Covas e Nunes, a concentração de dependentes químicos se espalhou pelo Centro e o fluxo mudou de localização diversas vezes — atualmente, está próximo à estação da Luz — com polêmicas envolvendo a instalação de grades para segregar os usuários da rua. O problema exige a integração entre governo estadual e municipal e passa por políticas de saúde, segurança pública, assistência social, trabalho e habitação.

Outra questão sensível é o número de pessoas em situação de rua. Durante a pandemia da Covid-19, ele cresceu vertiginosamente e a situação nunca se reverteu. Um censo da prefeitura realizado em 2021 apontou 32 mil pessoas nessa condição. Mas o Observatório brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontam 89.951 pessoas em situação de rua em dezembro de 2023 na cidade de São Paulo, número 38% maior do que o mesmo mês do ano anterior. A instituição se baseia nos dados do CadÚnico disponibilizados pelo Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

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