Após meses de pressão da sociedade civil e de relatores internacionais, o Brasil deixou de exportar petróleo para Israel, pelo menos oficialmente. Em 2025, o país zerou suas vendas de combustíveis para a economia de guerra israelense, conforme dados revelados por uma investigação recente.
A retomada das exportações de petróleo para Israel ocorreu em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, após anos sem transações. Em 2022, o volume de exportação saltou para 11,9 milhões de barris, mas caiu drasticamente em 2023, ano em que o governo Lula assumiu e a crise na Faixa de Gaza se intensificou.
Impactos e Relevância Global
O fluxo de petróleo entre Brasil e Israel contrastava com a crescente crise diplomática. Lula foi declarado persona non grata em Israel devido à sua defesa dos direitos palestinos, enquanto as embaixadas de ambos os países permaneciam com cargos vazios. A campanha do BDS Brasil, que pedia o fim das exportações, ganhou força nesse contexto.
Embora a Petrobras tenha afirmado não vender mais petróleo para Israel desde outubro de 2023, dados indicavam que o Brasil ainda era um dos principais fornecedores de petróleo para o país durante o conflito. Em 2024, o Brasil representou cerca de 9% do total consumido por Israel, o que gerou preocupações entre ativistas de direitos humanos.
Na guerra em Gaza, o abastecimento de combustíveis tornou-se um elemento crítico nas negociações. A entrada de produtos no território palestino foi dificultada por Israel, que alegou riscos de desvio pelo Hamas, resultando em hospitais sem energia, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Movimentos de direitos humanos temem que as exportações possam continuar de maneira camuflada. A pressão da sociedade civil, no entanto, levou a um diálogo entre as federações de petroleiros e o governo brasileiro, que resultou em um pedido formal para a suspensão das exportações.
Ativistas destacam que o fim das vendas diretas é uma vitória, mas alertam sobre a possibilidade de triangulação das exportações. A necessidade de uma auditoria independente sobre os destinos finais das exportações de petróleo é uma das principais demandas, assim como a proibição expressa das exportações de produtos energéticos para Israel.











