O mercado internacional da soja apresenta um cenário de cautela com a aproximação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), agendado para esta sexta-feira (11). Após uma semana de ganhos expressivos, os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) começaram a recuar, refletindo a realização de lucros por investidores e a expectativa de estoques mais altos nos EUA.
Na manhã desta quinta-feira (9), as cotações da oleaginosa caíam entre 4,50 e 6,25 pontos, com os contratos para agosto e novembro sendo negociados em torno de US$ 11,87 por bushel. Esse movimento defensivo ocorre em meio à expectativa de que o relatório do USDA possa trazer números que impactem as projeções globais de oferta e demanda.
Expectativas de Estoques e Produção nos EUA
As previsões do mercado indicam que o USDA deve revisar para cima a produção e os estoques finais da safra 2026/27 nos Estados Unidos. A produção pode ser estimada em 4,457 bilhões de bushels, superando a projeção anterior de 4,435 bilhões, enquanto os estoques finais podem ser elevados para cerca de 324 milhões de bushels.
No cenário global, analistas também esperam um aumento nos estoques mundiais, que podem chegar a aproximadamente 125,2 milhões de toneladas. Isso reforça a percepção de uma oferta confortável para a próxima temporada, o que pode influenciar o mercado brasileiro.
A demanda da China continua a ser um fator crucial para a sustentação dos preços internacionais, mesmo com a correção em Chicago. O USDA confirmou a venda de 472 mil toneladas de soja para o país asiático, o que ajuda a limitar as perdas nas cotações e demonstra que a demanda permanece ativa.
Desafios de Armazenagem no Brasil
No Brasil, a situação do mercado se mostra distinta, com os produtores aproveitando os melhores preços e a valorização do câmbio para intensificar as vendas. Estima-se que cerca de 4 milhões de toneladas tenham sido negociadas recentemente, impulsionadas pela demanda exportadora e pela necessidade de espaço para a chegada da segunda safra de milho.
No entanto, a armazenagem se torna um desafio crescente. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o déficit de armazenagem supera 12,4 milhões de toneladas, pressionando o sistema logístico. Já no Rio Grande do Sul, os preços se mantêm firmes, mas a concorrência por espaço nos armazéns aumenta com a colheita do milho safrinha.
Com o relatório do USDA se aproximando, os produtores e cooperativas devem ficar atentos às possíveis revisões de produção e estoques, que podem impactar diretamente as cotações. Enquanto isso, o mercado brasileiro continua a ser sustentado por um ritmo forte de exportações e desafios logísticos que exigem atenção constante dos envolvidos na cadeia produtiva.











