O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular a absolvição do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora digital Mariana Ferrer, em um caso que ganhou grande repercussão nas redes sociais. O crime teria ocorrido em 2018, na boate Café de La Musique, em Florianópolis, e a decisão foi tomada em 18 de junho de 2026.
Com essa nova determinação, o processo será reavaliado pela Justiça de Santa Catarina, e tanto o juiz quanto o promotor que atuaram anteriormente não poderão participar do novo julgamento. Essa mudança é um passo importante para garantir que o caso seja tratado com a seriedade que merece.
Contexto do Caso
A defesa de Mariana argumentou que as humilhações sofridas durante a audiência de instrução, que se tornaram virais, justificam a anulação da absolvição. Durante o depoimento, o advogado do acusado fez perguntas invasivas sobre a vida pessoal da influenciadora, o que gerou indignação pública.
O relator do julgamento, ministro Alexandre de Moraes, destacou que Mariana foi alvo de desrespeito e comentários machistas, o que comprometeu a integridade do processo. Ele afirmou que a audiência foi marcada por um tratamento cruel e desumano, evidenciando a necessidade de uma nova análise do caso.
Reações dos Ministros
Os ministros do STF concordaram com a posição do relator. Luiz Fux, por exemplo, criticou a postura do juiz que permitiu a agressão verbal à vítima durante a audiência. A ministra Cármen Lúcia também se manifestou, ressaltando a importância de proteger as vítimas de violência sexual e a necessidade de mudanças no sistema judicial.
Ela enfatizou que muitas mulheres se sentem desencorajadas a denunciar por medo e vergonha, um reflexo de uma cultura que ainda culpa as vítimas. A discussão em torno do caso ressalta a urgência de um sistema judicial mais sensível e respeitoso com as vítimas de crimes sexuais.
Impacto e Legislação
Após o caso, a Lei 14.245, conhecida como Lei Mari Ferrer, foi promulgada em 2021, visando proteger a dignidade das vítimas durante os interrogatórios. Além disso, em 2024, o STF proibiu a desqualificação de vítimas em audiências, um avanço significativo na luta contra a revitimização.
Essa decisão do STF não só traz esperança para Mariana Ferrer, mas também representa um marco na luta por justiça e respeito às vítimas de violência sexual no Brasil. A sociedade espera que esse novo julgamento seja conduzido com mais empatia e responsabilidade.











