
O furacão Melissa pode tocar o solo da Jamaica a qualquer momento e deixar um rastro de destruição no país. Nesta segunda-feira (27), antes mesmo de tocar o solo, ventos e chuvas intensas provocados pelo furacão já causaram três mortes, além de três vítimas no Haiti e uma na República Dominicana.
Às 6h desta terça-feira, no horário de Brasília, o furacão estava a cerca de 180 quilômetros de Kingston, capital da Jamaica, avançando a oito quilômetros por hora. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), ele deve atingir Cuba ainda nesta terça, poucas horas após passar pela Jamaica.
A tempestade “provavelmente vai girar para o norte, o que significa que pode ter impacto em nosso litoral, mais ao extremo oeste da Jamaica”, disse o primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, em entrevista à CNN.
Nesta terça-feira, a Força Aérea dos Estados Unidos publicou um vídeo gravado no interior do furacão. As imagens mostram uma parede gigante de nuvens ao redor do centro da tempestade. Segundo a equipe, a pressão atmosférica caiu para 933 hectopascais, nível que indica força máxima na escala Saffir-Simpson.
Considerado o furacão mais devastador a se aproximar da Jamaica desde o início dos registros, há 174 anos, o Melissa foi classificado na categoria 5 da escala Saffir-Simpson, com ventos superiores a 250 km/h.
O governo da Jamaica determinou evacuações obrigatórias em várias regiões e alertou para possíveis danos catastróficos. Cerca de 900 abrigos foram abertos para a população. No entanto, o primeiro-ministro jamaicano ressaltou que “não existe infraestrutura na região capaz de suportar um furacão de categoria cinco. A questão agora é a velocidade de recuperação. Esse é o desafio”.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) o furacão Melissa representa a “tempestade do século” na Jamaica. “Uma situação catastrófica é esperada. Para a Jamaica, será com certeza a tempestade do século”, disse Anne-Claire Fontan, especialista em ciclones tropicais da OMM, à imprensa em Genebra.
“Hoje será muito difícil para dezenas de milhares, senão milhões de pessoas na Jamaica. Telhados serão postos à prova, as enchentes vão subir, e o isolamento se tornará uma dura realidade para muitos”, disse Necephor Mghendi, oficial do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, nesta terça (28).