Teste Chevrolet Tracker Premier 2026: uma questão de preço

Em julho, a Chevrolet apresentou a aguardada reformulação para o Tracker, a primeira alteração de fato no visual do SUV desde seu lançamento em 2020. Ele chegou praticamente junto à pandemia, o que pode ter atrasado os planos da montadora para sua renovação, mas o que importa é que o Tracker 2026 chegou, mudou e está melhor do que nunca.

Mas ser o melhor Tracker de terceira geração até agora não significa que o SUV compacto não vá enfrentar dificuldades num dos segmentos mais acalorados do mercado brasileiro. E um dos pontos que pode gerar a maior questão para os compradores está em seu preço. Um exemplar da versão Premier 2026, como a testada, já custa R$ 189.590. Nesse território, já dá pra andar de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, ou de VW T-Cross Highline 1.4 para ficar na mesma categoria. Mas no que uma reestilização pode ajudar o carro da Chevrolet?

Após mais de quatro anos de mercado, a primeira atualização do Chevrolet Tracker trouxe faróis divididos em duas partes, grade dianteira mais destacada e visual próximo de outros SUVs da marca, como Equinox e Blazer. A traseira, por sua vez, mudou menos, trazendo apenas lanterna com novos elementos internos escurecidos e capa translúcida. O novo visual também aproximou o SUV das soluções visuais encontradas em sua picape derivada, a Montana.

Por dentro, o principal destaque é a adoção de um novo conjunto de instrumentos. O Tracker 2026 é equipado com central multimídia maior, integrada ao painel de instrumentos totalmente digital, seguindo o padrão adotado na Spin e na picape S10 em suas reestilizações mais recentes. O volante é o mesmo.



Foto de: Motor1 Brasil

O acabamento interno, está mais sofisticado, incluindo bancos com espuma de diferentes densidades e superfície acolchoada, além superfícies mais macias ao toque. Entre os equipamentos que a marca destacou estão mais funcionalidades de conectividade, como acompanhamento seguro e o myChevrolet app com recursos extras, todos novos recursos do OnStar. É interessante pontuar que todas as configurações do Tracker 2026 já saem de fábrica com seis airbags, faróis de LED com acendimento automático, Wi-Fi nativo, sistema OnStar e sensores de estacionamento traseiros.

A versão Premier é a primeira do catálogo a contar com o motor 1.2 turbo no lugar do 1.0 turbo, além de agregar itens mais procurados em sua faixa de preço como teto-solar, rodas de 17″, carregador de celular por indução, sistema de estacionamento automático (Easy Parking), faróis de neblina em LED, sensor de chuva, retrovisor interno eletrocrômico e sensores de estacionamento dianteiro. O painel de instrumentos digital com tela de 8″ e a nova central multimídia MyLink com tela de 11″ vêm de série desde a versão LT, enquanto alerta de colisão frontal com frenagem autônoma e alerta de ponto cego aparecem já na LTZ 1.0.



Foto de: Motor1 Brasil

Não, a Chevrolet não mudou o tipo de acionamento de comando de válvulas no Tracker. O SUV segue com a correia de borracha banhada a óleo, que a marca diz ter aprimorado junto ao fornecedor com componentes que deixaram a peça mais resistente ao uso de óleo de baixa qualidade. Segundo a Chevrolet, esse era um dos pontos que os clientes tinham mais questionamentos. A marca ainda reforçou a estratégia com uma garantia de 240.000 km. No entanto, para manter a garantia, é preciso realizar as manutenções em autorizadas Chevrolet e utilizar o óleo indicado pela fabricante.

Em todo caso, permaneceu o motor 1.2 turbo de três cilindros, mas agora com injeção direta de combustível – na verdade, isso desde o começo de 2025, ainda com o visual anterior. Ele é capaz de entregar 141 cv de potência com etanol, ou 139 cv com gasolina. O torque, respectivamente, é de 22,9 kgfm ou 22,4. O câmbio é sempre automático de seis marchas.



Foto de: Motor1 Brasil

Logo pela carroceria, é possível ver que a Chevrolet empreendeu esforço para renovar o Tracker. A nova dianteira pouco lembra o SUV pré-mudanças e ao mesmo tempo o aproximou de modelos maiores que a marca oferece em outros mercados, até mesmo os elétricos. No entanto, parece que o tempo acabou: as laterais e a traseira tiveram pequenas revisões apenas.

A mudança no interior é mais significativa, com a versão Premier sendo uma das melhores no Tracker para disfarçar a origem mais básica do SUV, que compartilha a base com o Onix. Maior quantidade de materiais macios ao toque, couro no painel e costuras contrastantes são jeitos rápidos e comprovados de melhorar a percepção de qualidade do interior do veículo. Pode ser uma estratégia batida, mas funciona. Pena que o padrão de acabamento não se repita nas portas traseiras, onde se mantém o domínio do plástico rígido.



Foto de: Motor1 Brasil

O novo painel de instrumentos não é exatamente novo, já apareceu em Spin e S10. Porém, entrega bons gráficos e informações nítidas. Isso inclui um interessante medidor de distância para o carro da frente, dando um tempo em segundos para uma reação em caso de frenagem de emergência. O mesmo vale para a multimídia, ainda que as respostas visuais sejam lentas. A câmera de ré também tem uma resolução inferior ao tamanho da tela e a borda esquerda, onde ficam os principais comandos, fica parcialmente tampada pelo aro do volante.

Com 2,57 m de entre-eixos, o Tracker 2026 não é um campeão do espaço interno. É confortável até quatro passageiros adultos, e só. O trunfo está no porta-malas, de reais 393 litros, quadrado e fácil de usar. Se você tiver uma família com crianças, o SUV da Chevrolet comporta numa boa.



Foto de: Motor1 Brasil

Isso nos leva a outra alteração que a Chevrolet anunciou para a linha 2026 do Tracker: a suspensão. A marca mudou o pneu em prol de uma melhor eficiência energética e recalibrou molas e amortecedores. Parece papo que qualquer montadora diz em reestilizações, mas nesse caso é uma diferença notável. O Tracker 2026 é perceptivelmente mais macio nos buracos e silencioso nas imperfeições. Tornou-se um carro mais cômodo. 

Se há algo que o Tracker 2026 pode se gabar frente aos rivais é essa serenidade da condução. Sem acelerações além do esperado como num T-Cross Highline ou o ronco forte e os enfeites do Fiat Fastback Abarth. Pode-se até argumentar que a ausência de mais itens de auxílio à condução signifiquem uma direção sem apitos ou luzes piscando para o motorista, ainda que seja sentida no dia-a-dia.



Foto de: Motor1 Brasil

O mesmo vale para o motor. Ao contrário do 1.0, o 1.2 simplesmente entrega. Todos os movimentos de aceleradores podem ser suaves, sem pressa. O Tracker Premier responde forma previsível e agradável, apoiado pela transmissão de seis marchas que a Chevrolet usa há anos e está bem calibrada para essa aplicação.

E aqui poderia me estender procurando todos os pontos positivos do Tracker Premier 2026, mas fato é que o SUV chegou apenas com um facelift, uma leve revisão de equipamentos e alguma recalibração de suspensão. Por quase R$ 190 mil, o público não só busca como encontra opções mais equipadas ou potentes nas rivais. Não é mais faixa de preço para se oferecer carro com freio de estacionamento mecânico.

Há um lugar no mercado para o Chevrolet Tracker 2026 no mercado? Sim, no espaço de quem busca um carro cômodo, que não precise pensar muito para guiar. Mas quem olhar para outras opções no mesmo preço, pode encontrar carros mais modernos, seguros e performáticos. Pulando para uma categoria acima, tem-se mais espaço. A marca fez o que pôde para dar novo fôlego ao Tracker, mas quem vai dizer se a estratégia foi certeira é o público.

Fotos: Matheus Lima (para o Motor1.com)

Chevrolet Tracker Premier 1.2T




Motor

dianteiro, transversal, 3 cilindros, 12 válvulas, 1.199 cm3, comando duplo com variador na admissão e escape, injeção direta, turbo, flex




Potência e torque

139/141 cv a 5.000 rpm; 22,4/22,9 kgfm a 2.500 rpm




Transmissão

câmbio automático de 6 marchas; tração dianteira




Suspensão

McPherson na dianteira; eixo de torção na traseira; rodas de 17″ com pneus 215/55




Comprimento e entre-eixos

4.304 mm; 2.570 mm




Altura

1.626 mm




Largura

1.791mm




Peso

1.265 kg em ordem de marcha




Capacidades

porta-malas: 393 litros; tanque: 44 litros




Preço como testado

R$ 189.950




Aceleração

0 a 60 km/h: 4,13 s; 0 a 80 km/h: 6,52 s; 0 a 100 km/h: 9,4 s




Retomada

40 a 100 km/h (em S): 6,61 s; 80 a 120 km/h (em S): 6,3 s




Consumo de combustível

cidade: 9,9 km/litro; estrada: 14,9 km/litro (gasolina)

Autor

  • Redação Uberlândia no Foco

    O Uberlândia no Foco é um portal de notícias localizado na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, que tem como objetivo informar a população sobre os acontecimentos importantes da região do Triângulo Mineiro e do país. Fundado por Rafael Patrici Nazar e Sabrina Justino Fernandes, o portal busca ser referência para aqueles que buscam informações precisas e atualizadas sobre a cidade e a região. Nosso objetivo é cobrir uma ampla gama de assuntos, incluindo política, economia, saúde, educação, cultura, entre outros. Além disso, visamos abordar também, questões relevantes a nível nacional, garantindo assim que seus leitores estejam sempre informados sobre os acontecimentos mais importantes do país. Nossa equipe é altamente capacitada e dedicada a fornecer informações precisas e confiáveis aos seus leitores. Eles trabalham incansavelmente para garantir que as notícias sejam atualizadas e verificadas antes de serem publicadas no portal. Buscamos oferecer aos leitores uma plataforma interativa, na qual possam compartilhar suas opiniões e participar de debates sobre os assuntos mais importantes da cidade e da região. Isso torna o portal uma plataforma democrática, onde todas as vozes podem ser ouvidas e valorizadas. Não deixe de nos seguir para ficar por dentro das últimas atualizações e notícias relevantes. Juntos, temos uma grande caminhada pela frente.

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