Lançado em 2026, Trails in the Sky 2nd Chapter dá continuidade à história de Estelle e Joshua após Trails in the Sky 1st Chapter, lançado no ano anterior pela Nihon Falcom. A sequência mantém o alto nível do remake anterior e se apresenta como um dos principais JRPGs do ano.
Para quem não jogou o primeiro título, a Nihon Falcom disponibiliza um vídeo com um resumo da história. O material ajuda a contextualizar os acontecimentos, mas não contempla todos os detalhes. Esta análise também pode conter spoilers do jogo anterior.
A trama começa com Estelle em busca de Joshua, que desapareceu ao final do primeiro jogo para lidar com questões relacionadas ao próprio passado. O início, porém, pode ser lento para parte do público. As primeiras 15 horas têm muitos diálogos e poucas informações sobre o paradeiro de Joshua, o que torna esse trecho menos envolvente.
Depois desse período, personagens marcantes como Olivier, Agate, Scherazard, Tita e Kloe retornam com um desenvolvimento maior do que no título anterior. Estelle, agora uma bracer sênior, também continua realizando missões da guilda, que ajudam na evolução da personagem e apresentam casos mais elaborados, com pistas espalhadas pelas cidades.
Nem todas as missões funcionam tão bem. Algumas são consideradas cansativas e revelam limitações no level design. Em uma delas, por exemplo, é necessário conversar com aproximadamente seis NPCs em andares diferentes de um hotel para liberar um diálogo, seguindo os pontos indicados no minimapa.
Além dos personagens jogáveis do primeiro jogo, outros rostos conhecidos passam a integrar o grupo em momentos específicos. Essas situações estão entre os pontos altos da aventura, especialmente quando a ação ganha mais espaço. A história também se destaca pela construção dos vilões, pelas explicações que esclarecem dúvidas deixadas pelo primeiro título e pelo desenvolvimento dos personagens.
A narrativa mantém o tom político, com regiões envolvidas em conflitos e disputas por poder, mas acrescenta uma presença maior do elemento fantasioso. O humor dos personagens continua presente, com Olivier mantendo seu comportamento flertador e Scherazard preservando sua personalidade marcante.
A campanha foi concluída em aproximadamente 76 horas, considerando a realização de todas as missões da guilda e algum tempo dedicado ao grind. Apesar da experiência positiva, a ausência de legendas em português é apontada como uma das principais limitações do jogo.
Visualmente, Trails in the Sky 2nd Chapter está entre os JRPGs mais bonitos da atualidade, com gráficos em estilo cel shading e cores vibrantes. Por outro lado, a maior parte da aventura se passa nas mesmas cidades, estradas e dungeons do primeiro jogo. Como os acontecimentos ocorrem logo depois da história anterior, os locais não apresentam grandes mudanças, o que pode tornar a exploração repetitiva.
As cidades têm identidades visuais bem definidas e não são facilmente confundidas. A partir da metade da campanha, novas áreas são apresentadas, com destaque para as dungeons próximas do fim, que contam com bom level design. O jogo, no entanto, traz poucos puzzles — algo positivo para alguns jogadores, mas que pode fazer falta para outros.
O sistema de combate segue a proposta híbrida do primeiro remake. Os inimigos podem ser vistos no mapa e enfrentados em uma dinâmica próxima à de um RPG de ação. Em batalhas importantes ou quando é necessário explorar as fraquezas dos adversários, o jogo utiliza combates por turnos, nos quais os personagens também podem se movimentar pelo cenário.
Essa movimentação interfere no alcance de habilidades e exige atenção ao posicionamento, já que muitas magias precisam ser direcionadas. O título oferece grande quantidade de arts, que são as magias, e quartz, outro tipo de habilidade, com opções ofensivas, defensivas e efeitos de status variados.
O sistema de Quartz permite alterar as características dos personagens, deixando alguns mais voltados para ataques físicos e outros para magias. Os equipamentos também influenciam o desempenho do grupo e podem ser aprimorados nas lojas. Com essas possibilidades, o combate consegue ser simples e complexo ao mesmo tempo.
Algumas batalhas são desbalanceadas para quem não identifica a estratégia necessária, enquanto a interface pode causar confusão. A câmera também nem sempre permite visualizar com precisão o ponto para o qual uma habilidade está sendo direcionada. Para reduzir a frustração, o jogo oferece a opção de facilitar as batalhas depois de uma derrota e permite escolher o nível de dificuldade.
Trails in the Sky 2nd Chapter é recomendado para os fãs de JRPGs. O começo mais lento dá lugar a uma história envolvente, com personagens bem desenvolvidos e momentos intensos principalmente da metade da campanha em diante. O sistema de combate, que combina turnos e ação em tempo real, é outro destaque.
A sequência, contudo, apresenta poucas novidades em relação ao antecessor, reutiliza grande parte do mapa e não transforma de maneira significativa o sistema de batalhas. A ausência de legendas em português também pesa contra um jogo com grande volume de diálogos. Ainda assim, esses problemas não impedem que o título seja considerado um dos melhores JRPGs e jogos do ano.
Trails in the Sky 2nd Chapter foi cedido pela GungHo Online Entretenimento para a realização da análise.











