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Trigo ganha força no Sul com menor oferta e preços em alta
Imagem: Reprodução
Agro

Trigo ganha força no Sul com menor oferta e preços em alta

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A combinação de estoques restritos e a redução da área plantada na safra 2026 estão fortalecendo o mercado de trigo no Sul do Brasil. Com a escassez de trigo de qualidade superior, os produtores estão adotando uma postura mais cautelosa nas vendas, enquanto cooperativas e moinhos buscam garantir o abastecimento nos próximos meses.

Segundo análises da TF Agroeconômica, o mercado permanece firme nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A baixa disponibilidade de matéria-prima de melhor qualidade e a expectativa de uma oferta mais limitada na próxima temporada são fatores que sustentam essa tendência de alta.

Redução de área preocupa mercado

No Rio Grande do Sul, o principal produtor nacional de trigo, a semeadura da nova safra está apenas começando. Embora o clima seco favoreça as operações de manejo e plantio, a baixa umidade em algumas regiões limita o estabelecimento das lavouras.

Além das questões climáticas, a projeção de uma significativa redução da área cultivada tem gerado preocupação no setor. Custos elevados de produção e margens apertadas desestimulam investimentos na cultura, o que pode impactar a oferta futura.

Essa expectativa já reflete no mercado futuro, com produtores elevando suas pedidas para cerca de R$ 1.500 por tonelada FOB para entrega em setembro. Essa valorização é um indicativo do receio de uma disponibilidade mais restrita ao longo do próximo ciclo.

Escassez de trigo de qualidade sustenta preços

No mercado disponível, os negócios estão concentrados em lotes de melhor padrão industrial. No Rio Grande do Sul, o trigo branqueador foi negociado próximo de R$ 1.450 por tonelada, enquanto o trigo pão registrou valores entre R$ 1.350 e R$ 1.370 por tonelada.

No Paraná, a falta de trigo de qualidade continua a sustentar preços elevados, com pedidos próximos de R$ 1.500 por tonelada, embora negócios recentes tenham ocorrido em torno de R$ 1.400 por tonelada FOB. Em Santa Catarina, os preços variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, dependendo da origem.

Com as perspectivas de alta, especialistas recomendam que os produtores mantenham parte dos estoques armazenados e aproveitem apenas oportunidades pontuais de comercialização. A relação entre risco e retorno ainda favorece a retenção parcial do cereal, especialmente em um cenário de incertezas sobre a oferta futura.

As cooperativas e indústrias moageiras também precisam estar atentas. As cooperativas devem ampliar a originação de trigo de qualidade superior e garantir capacidade de armazenagem, enquanto os moinhos buscam reduzir riscos de abastecimento para o segundo semestre, antecipando compras e avaliando fornecedores alternativos.

Com a redução da área plantada e a qualidade limitada da produção nacional, o mercado de trigo deve se sustentar em níveis elevados nos próximos anos. Caso a oferta se confirme mais restrita, os produtores que mantiverem a qualidade e uma gestão eficiente de estoques poderão se beneficiar de uma valorização significativa do cereal.

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