O mercado de trigo enfrenta um cenário desafiador, com preços em alta na Bolsa de Chicago, enquanto a produção brasileira deve cair 20% na safra 2025/26. Essa situação reflete a pressão da oferta global e a incerteza nas negociações internas, especialmente no Sul do Brasil, onde a liquidez continua baixa.
Os contratos futuros de trigo em Chicago têm mostrado valorização, impulsionados pela redução da oferta global e tensões geopolíticas, especialmente no Mar de Azov. Na abertura do dia 15 de julho, o preço do trigo para setembro estava em US$ 6,65 por bushel, com uma alta significativa nas últimas semanas.
Produção brasileira em queda e aumento das importações
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) estima que a produção nacional deve ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas, o que representa uma queda de cerca de 20% em relação ao ciclo anterior. Essa redução na produção acentua a necessidade de importações, principalmente da Argentina, para atender à demanda da indústria moageira.
No mercado interno, a situação é preocupante, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a demanda é considerada fraca. Os moinhos operam com moagem reduzida e os preços do trigo permanecem entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada, com resistência para novos reajustes devido à qualidade do produto e à contaminação por micotoxinas.
Em Santa Catarina, a comercialização está praticamente parada, com produtores segurando as vendas à espera de preços melhores. As cotações variam entre R$ 1.300 e R$ 1.400 por tonelada, mas não há registros de negócios relevantes, refletindo a cautela do mercado.
No Paraná, os preços se mantêm firmes, com ofertas em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF. A escassez de trigo disponível e a busca por maior qualidade têm favorecido as importações, especialmente do trigo paraguaio, que se torna uma alternativa viável para os moinhos.
O cenário para o segundo semestre indica que a evolução dos preços dependerá da produção nacional e da oferta internacional. A continuidade das incertezas sobre as exportações russas e a confirmação da menor safra brasileira podem aumentar a dependência das importações, impactando diretamente o mercado e os consumidores.











