O mercado de trigo no Sul do Brasil apresenta preços variados, enquanto a pressão externa aumenta com a queda nas cotações internacionais. As negociações na região seguem em ritmo lento, com moinhos cautelosos e produtores firmes em suas ofertas. A colheita nos Estados Unidos avança, impactando as expectativas globais e refletindo na liquidez do mercado brasileiro.
Comportamento do mercado de trigo no Sul
De acordo com a TF Agroeconômica, o cenário no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná é de movimentação reduzida. No Rio Grande do Sul, o trigo de melhor qualidade é negociado entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada, enquanto o trigo melhorador pode chegar a R$ 1.500. A expectativa é de que os moinhos gaúchos já estejam cobertos para o curto prazo, mas preocupações com a próxima safra começam a surgir.
Em Santa Catarina, a comercialização também é limitada, com dificuldades na venda de farinha. Os preços do trigo-pão giram em torno de R$ 1.360 por tonelada FOB, enquanto o trigo melhorador é negociado próximo de R$ 1.400. No Paraná, as operações são motivadas pela necessidade de espaço para a safrinha de milho, com preços variando entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada.
As cooperativas do Rio Grande do Sul indicam uma possível redução de até 40% na área cultivada com trigo, o que pode impactar a produção total. A Emater-RS estima uma safra de 2,2 milhões de toneladas para 2026, bem abaixo do ciclo anterior, que registrou entre 3,8 milhões e 4 milhões de toneladas.
Impacto da colheita americana no mercado internacional
No cenário internacional, a Bolsa de Chicago registrou queda nas cotações do trigo, influenciada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos. Dados do USDA mostram que 40% da área prevista já foi colhida, superando as expectativas do mercado. Essa ampla oferta global pressiona os preços e afeta a competitividade das commodities agrícolas.
Os contratos futuros de trigo fecharam com queda, com o vencimento em julho cotado a US$ 5,86 por bushel. A revisão negativa da produção russa limitou algumas perdas, mas o foco permanece na oferta abundante. O comportamento climático nos próximos meses será crucial para determinar os preços do cereal, tanto no Brasil quanto no exterior.
Em resumo, o mercado de trigo enfrenta desafios tanto internos quanto externos. A baixa liquidez no Sul do Brasil contrasta com as expectativas de ampla oferta global, o que pode impactar diretamente os produtores e a economia regional. A atenção agora se volta para as condições climáticas e a próxima safra, que poderão influenciar o cenário nos próximos meses.











