O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que pretende apoiar estados interessados em expandir o uso da inteligência artificial (IA). Em uma publicação nas redes sociais, ele classificou a tecnologia como uma fonte de riqueza e declarou ser favorável ao desenvolvimento da chamada superinteligência artificial.
Trump disse que pretende trabalhar com governos estaduais dispostos a apostar no setor e criticou lideranças contrárias à expansão da tecnologia. “Como presidente, sou 100% a favor da Superinteligência (SI) e trabalharei com os muitos estados dos EUA que querem se tornar RICOS ao tê-la. Eles são OURO, e só uma liderança tola vai dizer ‘NÃO’ às riquezas que ela traz!”, escreveu.
O presidente, no entanto, não detalhou quais medidas pretende adotar. A declaração ocorreu após uma onda de vendas de ações de empresas de tecnologia e em meio à preocupação de investidores com os altos investimentos necessários para desenvolver sistemas de IA e com possíveis restrições à construção de data centers.
O cenário também foi influenciado pela vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado ampliou as discussões sobre possíveis regras para o setor e aumentou as incertezas em relação aos planos de expansão das empresas de tecnologia.
Investidores temem que uma maior resistência à construção de centros de dados dificulte novos projetos nos Estados Unidos. Essas instalações armazenam e processam grandes volumes de informações e são fundamentais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial, mas enfrentam oposição de comunidades em algumas regiões americanas por causa do alto consumo de energia e água.
Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), a vitória democrata não provocou diretamente a queda das ações, mas acrescentou um risco a um mercado que já apresentava sinais de fragilidade. “A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil”, afirmou ao g1.
Segundo o especialista, os riscos mais imediatos estão nos estados, responsáveis por decisões sobre licenciamento, fornecimento de energia e eventuais moratórias que podem afetar a construção de data centers. Ele também citou possíveis mudanças nos incentivos fiscais.
Camilo ressaltou que alterações legislativas relevantes costumam demorar e que o presidente dos Estados Unidos mantém o poder de veto. Na avaliação do professor, a reação mais intensa do mercado tende a ser pontual, mas a revisão das expectativas de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial pode continuar.
A pressão sobre as empresas de tecnologia também atingiu os mercados asiáticos nesta sexta-feira (6). No Japão, o índice Nikkei caiu 5,96%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 6,02%. Durante o pregão, a queda do índice sul-coreano chegou a 8,55%, o que levou à suspensão das negociações por 20 minutos.
Entre as fabricantes de chips afetadas, a sul-coreana SK Hynix perdeu 10,4%, e a Samsung Electronics recuou 6,4%. No Japão, a SoftBank caiu cerca de 11%. Já a taiwanesa TSMC fechou em baixa de 4,7%.
Nos Estados Unidos, as maiores empresas de tecnologia também terminaram o pregão em queda. As sete companhias conhecidas como Magnificent Seven recuaram. A Tesla caiu 10,8%, a Nvidia perdeu 9,3% e a AMD teve baixa de 17,3%. O índice de semicondutores da Filadélfia registrou queda de 12,2%.
A região asiática concentra algumas das principais fabricantes de chips do mundo, responsáveis pelo fornecimento de componentes essenciais ao desenvolvimento da inteligência artificial. Uma possível desaceleração dos investimentos em infraestrutura para a tecnologia pode afetar diretamente essas empresas.











