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UNE destaca mobilização estudantil em defesa da democracia e da educação antes do 2º turno
Foto original adaptada visualmente por IA.
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UNE destaca mobilização estudantil em defesa da democracia e da educação antes do 2º turno

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A preocupação com os rumos do país e com os riscos para as instituições democráticas e para a educação levou milhares de estudantes às ruas em diferentes cidades brasileiras às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Os atos defendem a democracia, a educação pública e também apresentam posicionamentos sobre os candidatos e suas propostas.

Em entrevista, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que universitários e estudantes secundaristas voltaram a assumir protagonismo na mobilização política. Segundo ela, o movimento retoma uma trajetória histórica que inclui a resistência à ditadura militar, a campanha pelas eleições diretas, o impeachment de Fernando Collor e manifestações contra os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

“Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”, declarou Bianca. Na avaliação da dirigente, a eventual eleição de Flávio Bolsonaro representaria a possibilidade de ascensão de um governo autoritário, contrário à educação e marcado por retirada de direitos e retrocessos.

A presidente da UNE também citou problemas enfrentados pelas universidades públicas, como o subfinanciamento, a necessidade de ampliar a assistência estudantil e a falta de condições para garantir a permanência de alunos de baixa renda nos cursos. Para ela, a defesa da democracia está relacionada à valorização das instituições públicas de ensino superior e à melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora.

Bianca defendeu ainda que a organização estudantil continue depois do período eleitoral. Segundo ela, a participação coletiva é essencial para transformar reivindicações em direitos. “Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça. Isso é da própria vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE tem sido assim”, afirmou.

A mobilização, de acordo com Bianca, começou nas universidades após a divulgação do resultado do primeiro turno. O primeiro ato ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, inicialmente planejado como uma assembleia de estudantes favoráveis à campanha de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais de mil pessoas participaram da reunião, que acabou transferida para a rua devido ao tamanho do público.

A dirigente afirmou que a maioria dos participantes é formada por universitários organizados em centros acadêmicos e diretórios centrais de estudantes, mas destacou também a participação dos secundaristas. O ato realizado no centro do Rio de Janeiro, entre a Candelária e a Cinelândia, foi inicialmente convocado por estudantes do Colégio Pedro II. Grêmios estudantis também aderiram às manifestações.

Bianca comparou o ato do Rio, realizado em 7 de outubro, à Passeata dos 100 mil, de 1968, durante a ditadura militar. Segundo ela, participantes de outras gerações do movimento estudantil avaliaram que a manifestação reuniu público semelhante. Durante o protesto, os estudantes lembraram Edson Luís, considerado pela dirigente um símbolo da luta contra o autoritarismo e em defesa dos direitos e da educação.

Em Brasília, uma manifestação realizada no dia 13 de outubro reuniu principalmente estudantes e contou também com a participação de outros setores da sociedade e da classe trabalhadora.

Entre as reivindicações atuais, a UNE critica o projeto Future-se, apresentado em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro. Para a entidade, a proposta ameaçava o caráter público das universidades e o modelo baseado em ensino, pesquisa e extensão. Bianca também citou declarações de Bolsonaro contra centros acadêmicos e a nomeação de mais de 18 reitores interventores, que não haviam ficado em primeiro lugar nas consultas feitas às comunidades universitárias.

Sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, a presidente da UNE afirmou que a entidade teme um corte nos direitos sociais e na educação. Ela mencionou o subfinanciamento das universidades, que, segundo a dirigente, se estende por mais de dez anos, e alertou para possíveis dificuldades no pagamento de bolsas e na manutenção de laboratórios.

Bianca também criticou a proposta atribuída a Flávio de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Na avaliação dela, a medida aproximaria as instituições exclusivamente dos interesses do mercado. A UNE defende que as universidades estejam ligadas a um projeto nacional de desenvolvimento, sem deixar de cumprir seus papéis acadêmico, científico, social e de formação cidadã.

Ao explicar o uso do termo fascismo em relação ao bolsonarismo, Bianca citou o autoritarismo, a deslegitimação de organizações populares, o enfraquecimento da participação social, a criminalização do movimento estudantil e o incentivo à violência política. Ela afirmou que universidades receberam ameaças de incêndios criminosos pelas redes sociais. Dois incêndios registrados na Universidade Federal de Pernambuco estão sob apuração, e a dirigente ressaltou que não é possível afirmar se foram criminosos.

A presidente da UNE lembrou ainda que a sede da entidade, na Praia do Flamengo, foi incendiada em 1º de abril de 1964, data do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil.

A UNE declarou apoio à candidatura de Lula. Segundo Bianca, o objetivo é impedir o retorno do bolsonarismo ao poder e preservar o fortalecimento da democracia e da soberania nacional. Ela também criticou declarações atribuídas a Flávio sobre a formação de sua equipe de transição e sobre a exploração de terras raras por empresas estrangeiras.

Bianca afirmou que a entidade reconhece avanços na educação nos últimos anos, mas defende novas medidas para ampliar as oportunidades. Na avaliação dela, esse processo só poderá continuar sob um governo que, segundo a dirigente, ampliou as universidades federais, os institutos federais e o acesso ao ensino superior.

Na última sexta-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para impedir publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.

Bianca Borges tem 25 anos, nasceu em Itapevi e foi criada em Praia Grande, em São Paulo. Estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), ela assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025 a 2027. Sua atuação no movimento estudantil começou aos 14 anos, na Escola Técnica Estadual de Praia Grande, onde foi representante de sala e participou da criação de um grêmio.

Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), Bianca ingressou na instituição em 2017, foi coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes Livre da USP e diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto. Ela também presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), participou de mobilizações contra propostas de privatização e militarização do ensino público estadual e integrou a Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).

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