A recente decisão do governo federal de eliminar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”, gerou uma onda de reações entre os setores de varejo e indústria no Brasil. A medida, que entra em vigor nesta quarta-feira (13), foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e altera significativamente o cenário do comércio internacional.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação com a nova política, afirmando que ela favorece fabricantes estrangeiros em detrimento da produção nacional. Segundo a entidade, essa mudança pode impactar negativamente micro e pequenas empresas, levando à perda de empregos e ao enfraquecimento do setor produtivo local.
Impactos no Setor Têxtil
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a revogação da cobrança como “extremamente equivocada”. A entidade argumenta que a medida amplia a desigualdade tributária, colocando as empresas brasileiras em desvantagem em relação às plataformas internacionais. A Abit também destacou que a decisão pode afetar a arrecadação pública, que já havia registrado um aumento significativo nos primeiros meses de 2026.
Além disso, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) manifestou seu descontentamento, considerando o fim da tributação um “grave retrocesso econômico”. A entidade alerta que a medida pode prejudicar os 18 milhões de empregos gerados pelo setor no Brasil, especialmente os postos de trabalho em micro e pequenas empresas.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) comemorou a decisão, argumentando que a tributação anterior era “extremamente regressiva”. A entidade, que representa grandes plataformas de comércio eletrônico, acredita que a eliminação da taxa permitirá um maior acesso ao consumo para as classes C, D e E, promovendo uma maior inclusão social.
A medida, que foi parte do programa Remessa Conforme, também mantém a tributação de 60% para compras acima de US$ 50. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, justificou a mudança como resultado de um esforço de três anos para combater o contrabando e regularizar o setor de comércio internacional.
Com essa nova política, o cenário do comércio eletrônico no Brasil pode passar por transformações significativas. Para os consumidores, a expectativa é de um aumento na variedade de produtos disponíveis a preços mais acessíveis. No entanto, a discussão sobre a competitividade entre o comércio nacional e o internacional continua em pauta, refletindo a complexidade do mercado atual.











