Vozes Feministas leva à Rádio Brasil de Fato debates sobre geopolítica a partir do feminismo popular

As lutas das mulheres ao redor do mundo passaram a ocupar, desde março, um espaço fixo na programação da Rádio Brasil de Fato. É o programa Vozes Feministas, produzido em parceria com Capire e Marcha Mundial das Mulheres (MMM), que lê a conjuntura internacional sob a perspectiva do feminismo popular.

Vozes Feministas vai ao ar às quintas-feiras, às 16h45, com reprise na terça seguinte, no mesmo horário. Na proposta editorial, o Vozes Feministas busca aproximar o público de debates sobre geopolítica sem se afastar das experiências concretas de mulheres em luta em diferentes partes do mundo.

A construção dos episódios parte de conteúdos já produzidos por Capire, plataforma de comunicação feminista e popular criada em 2021 pela MMM. Reportagens, entrevistas, análises e relatos de experiência são reorganizados por tema ou região, formando roteiros que conectam processos organizativos, conflitos contemporâneos e práticas de resistência.

A apresentação do programa é feita por Bianca Pessoa, Dânica Machado e Helena Zelic, que se revezam na condução dos episódios. Integrante da equipe do Capire, Zelic afirma que o programa nasceu de um desejo antigo de expandir os modos de circulação desse acúmulo político e editorial. “O programa parte um pouco dessa ideia de, a partir dos conteúdos do Capire, criar novas conexões entre eles”, diz. Segundo ela, a proposta é “tocar nos assuntos de uma forma simples, leve, acessível” e também convidar a audiência a conhecer a plataforma.

A escolha do rádio, acrescenta Zelic, responde a uma estratégia mais ampla de comunicação feminista e popular. Segundo ela, a construção de uma comunicação contra-hegemônica não se esgota no ambiente virtual e precisa lançar mão de linguagens diversas para ampliar o diálogo com o público. Nesse sentido, o áudio segue como ferramenta importante para alcançar mulheres em rotinas atravessadas pelo trabalho dentro e fora de casa.

Para a coordenadora de jornalismo do Brasil de Fato, Monyse Ravena, a parceria também se insere em um momento de retração desse debate no campo da comunicação. “Estamos em um momento em que o próprio debate do feminismo tem perdido espaço na comunicação, seja nos meios de comunicação e no jornalismo, seja nas redes sociais. E isso se aprofunda quando a gente fala de uma perspectiva feminista e anticapitalista”, afirma.

Na avaliação de Ravena, a decisão de investir no programa vai na direção oposta desse esvaziamento. “Na contramão dessa tendência, o Brasil de Fato opta por apostar em conteúdos de comunicação com esse viés”, diz. Ela destaca ainda que a parceria com a Marcha Mundial das Mulheres dialoga com o perfil editorial do veículo e com uma trajetória consolidada de elaboração política e comunicação feminista.

Os temas já levados ao ar ajudam a dimensionar essa aposta. Desde a estreia, o programa abordou o debate sobre o aborto no Brasil, a situação de Cuba e Venezuela e homenagens a lideranças. O fio que costura esses conteúdos, segundo Zelic, é a compreensão de que “o feminismo não consegue avançar na transformação da sociedade sem estar totalmente relacionado com a luta anticapitalista, antirracista e anticolonial”.

Serviço

Vozes Feministas
Quintas-feiras, às 16h45, com episódios inéditos
Terças-feiras, às 16h45, com reprise
Rádio Brasil de Fato, 98,9 FM, na Grande São Paulo, e online, no site do Brasil de Fato

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